Os Peregrinos

O caminho não é novo... O novo está em nós, no nosso jeito de caminhar!

Apresentando 'opedaletra'

Olá!!!

Aos poucos, estou migrando para meu novo blog!

Já postei alguma coisa lá, mas gostaria principalmente que vocês prestigiassem o seguinte artigo:

http://opedaletra.blogspot.com/2011/12/o-papel-da-biblia-nos-grupos-de-base.html

Paz e Bem!!!

José Luiz Possato Jr.

Mudança de Casa

Aviso aos navegantes:

O blog "osperegrinos" vai sair do ar.

Mas eu não estou desistindo da vida de blogueiro. Não é isso... É que, há muito, esse nome já não representa quem sou, ou o material que venho publicando.

Quero falar de mais coisas além de Bíblia. Estou fazendo Letras. Isso me abriu um horizonte indescritível para a possibilidade de escrever contos, crônicas, histórias...

Além disso, sou casado e pai de família. Este blog não me parece propício para falar das aventuras do lar. O nome sugere sempre uma vida mais voltada à estrada, a um eterno caminhar. A casa, por outro lado, é um lugar de chegada, de repouso, de parada. Uma pausa na peregrinação, para descansar e reabastecer as energias.

Também sou músico e apaixonado por futebol. Ah, e ainda encontro tempo para discutir política e sociedade. São tantos assuntos de que gosto de falar que ficava impossível manter exclusivamente este espaço.

Por outro lado, como criar um blog para cada assunto seria loucura (eu mal consigo dar conta de um blog), resolvi criar um espaço único mas dividido em sessões. Assim, quem quiser falar de futebol vai encontrar um lugar propício para isso. Enquanto quem gosta de falar de Bíblia e Juventudes vai encontrar outro lugar, mas no mesmo espaço.

Ficou confuso? Bom, então confiram meu novo lar: O 'P' DA LETRA.

Teatro e Bíblia - São Chico

Olá!!!

Novamente estou saindo de um período de reflexões, de realinhamento de conceitos, de inércia, de crise, enfim...

Hoje quero brindar meus amigos e amigas com a peça de conclusão do curso de Teatro e Bíblia de São Francisco de Paula/RS, que teve a assessoria bíblica deste que vos fala (e a assessoria cênica de Darci Thomassim, companheiro já de muitas jornadas).

A peça a seguir foi adaptada de um roteiro escrito por uma menina de 10 anos. Os textos-base são Gn 3,1-19 (pecado de Adão e Eva) e Jo 20,1-18 (encontro de Madalena com o Jardineiro/Cristo Ressuscitado).

A ideia, como de costume, era promover hermenêuticas juvenis, principalmente debatendo a questão da violência. Mas, como os participantes deste curso em especial eram de diversas faixas etárias, vocês perceberão uma visão de juventude um pouco diferente da habitual.

Entretanto, cabe ressaltar que as/os jovens envolvidos neste ato pactuam com esta visão. Portanto, vejamos como uma parcela da população juvenil enxerga a si mesma, e procuremos debater (aqui mesmo, neste canal, ou em outro fórum apropriado) sobre como dialogar com esse público.

Vejamos o vídeo:

E aqui vou eu, mais uma vez mudando meu estilo. Bom... Na verdade, fui desafiado, em meu curso universitário (Letras), a fazer releitura de um clássico infantil. Então bolei algo que denunciasse o racismo. Vejam como ficou...


Releitura de Branca de Neve

Era uma vez, um vale encantado, conhecido por seu rio sinuoso, onde moravam Moacir e sua filha de 15 anos, Larissa. Ele era viúvo e descendia de uma linha de reis africanos. Ela perdeu a mãe muito cedo e se confortava ouvindo histórias de um tempo e um continente distantes. A cor de sua pele os tornava diferentes dos outros moradores da região, todos descendentes de alemães. Entretanto, a inteligência e simpatia faziam de Moacir um homem muito respeitado naquela comunidade. Tudo ia bem até que ele arrumou uma namorada, Marli, loira e muito bonita, mas muito vaidosa.

Quando mais nova, Marli fora eleita a mais bela do vale. Agora que estava novamente em evidência, resolveu fazer um novo concurso de beleza. Larissa ficou muito animada, não tanto pela competição, mas pela oportunidade de estar numa festa. Porém, como a madrasta não se dava muito bem com a enteada, criou uma regra: somente mulheres que tivessem a cor branca poderiam participar. A menina ficou muito triste. Mas suas amigas, inconformadas, bolaram um plano. Inscreveram-na com o nome de Branca de Neve. Assim, ela não poderia ser desclassificada, pois tinha a cor branca, pelo menos no nome. E lá se foi Larissa, desfilar na passarela. Marli ficou com muita raiva, pois, no fundo, temia ser derrotada justo pela filha de seu namorado.

E foi o que aconteceu. Branca de Neve foi aclamada a mais bonita mulher do vale. A megera ficou vermelha de raiva e questionou os jurados: “Vocês não estão vendo que ela é negra?” Ao que eles responderam: “O regulamento não diz nada sobre a pele. Somente que as candidatas deveriam ter a cor branca. E é o que ela tem no nome.” Marli não disse mais nada. Para Moacir, inventou a desculpa de que queria preservar a menina de olhares maldosos. Porém, o que ela desejava mesmo era matar a garota.

A inveja ia corroendo a madrasta. Passados alguns dias, ela contratou um pistoleiro para que matasse Branca de Neve e sumisse com seu corpo. Ele aceitou o serviço, pois não sabia que se tratava de sua amada, Larissa. Quando descobriu, recomendou que ela fugisse e se escondesse, pois sabia que Marli não iria desistir. Antes, porém, pegou o colar de seu pescoço, a fim de apresentar à malvada como prova da execução do crime. A menina não tinha onde se esconder. Ficou perambulando pela mata, até encontrar uma casa onde moravam sete irmãos. Eles trabalhavam na roça, o dia inteirinho. Por isso, a casa vivia bagunçada. Então resolveram acolhê-la, desde que lavasse, passasse e cozinhasse para eles. E assim viveram por longos anos.

As coisas começaram a mudar no vale quando Moacir, que fizera de tudo para encontrar sua filha, foi entristecendo até morrer. Única herdeira, Marli tornou-se a mulher mais popular da região. E tornou-se também a mais rica, aumentando sua fortuna com uma empresa de eventos. Os mais apreciados eram os concursos de beleza. Mas ela sempre dizia que eram para escolher a segunda mulher mais bonita das redondezas (a primeira, obviamente, era ela). Como não havia mais negros, as pessoas foram esquecendo como era viver com o diferente. A contínua promoção de disputas e competições tornou o povo mesquinho. Mesmo as amigas de Larissa começaram a aceitar em seu grupo somente aquelas que se vestiam igual a elas, ou então tivessem olhos tão clarinhos quanto os seus. O povoado do Vale do Rio Sinuoso, tão conhecido pela acolhida, passou a não fazer mais jus a sua fama.

Um belo dia, sentindo saudade do pai, Larissa se disfarçou de camponesa e foi ao povoado, ver se o encontrava. Perguntou sobre o bom Moacir aos que passavam, mas ninguém lhe deu atenção. Estranhou a frieza do povo. Então encontrou um menino de rua e este lhe contou como tudo se transformara com o sumiço da menina negra e a morte de seu pai. Ela soltou um grito, sendo reconhecida pelo menino. Saiu correndo, desesperada, chorando. Nunca mais veria seu paizinho querido. Ficou três dias sem comer e sem fazer o serviço de casa. Os sete irmãos tentaram animá-la, mas ela não saía de seu quarto. Enquanto isso, Marli ficou sabendo que sua enteada estava viva. E o pior... Outras pessoas também sabiam. Era necessário tomar providências.

A malvada contratou homens acostumados com a mata para localizar Larissa. Logo a encontraram na casa dos sete irmãos. A madrasta decidiu fazer ela mesma o serviço. Disfarçou-se de anciã e dirigiu-se, escondida, à mata. Do lado de fora da casa, gritou que conhecia Moacir. A menina abriu a porta mais do que depressa. Foram conversando, Marli foi elogiando a beleza da moça, fazendo de tudo até ganhar sua confiança. De repente, puxou um pedaço de pau e bateu na cabeça dela, que caiu desacordada. Ouvindo passos, a vilã saiu correndo. Eram os sete irmãos que, felizmente, voltavam mais cedo para casa. Levou um tempo para que a garota acordasse. A madrasta voltou para casa, sem ter certeza de ter matado a jovem. Porém, assim pensava, só o susto já deveria ser o suficiente para mantê-la longe do vilarejo.

Mas Larissa ficou revoltada. Essa mulher tinha destruído sua vida, matado seu pai de desgosto e transformado o vale em um lugar frio e triste. Como sentia que não tinha mais nada a perder, resolveu acabar com isso. Voltando à vila, soube que um concurso se aproximava. Procurou conhecer as regras (agora era proibida a participação de mulheres negras) e bolou um plano. Pintou sua pele de branco, ficando bem mais alva do que as próprias habitantes da região. Mudou seu nome para Alice e se inscreveu no evento. Quando a viu na passarela, Marli a reconheceu. Mas não podia revelar sua identidade porque temia o escândalo. O tempo foi passando, e a vilã pensava em como se livrar do problema. Então começou a chover. A tinta escorria da pele de Larissa. Alguém gritou: “Vejam... É Branca de Neve!” O povo se alvoroçou, mas, antes que alguém pudesse falar alguma coisa, a madrasta pulou em cima dela, tentando sufocá-la.

Foi quando apareceram os sete irmãos, que na verdade eram sete ex-maridos da malvada. Ela havia acabado com a vida de todos. Os mais velhos foram reconhecendo os sete homens. Todos eles eram pessoas influentes do passado do vale. Até então, ninguém entendera por que eles haviam sumido. Mas as pessoas, lentamente, foram relembrando os fatos. Essa mulher havia destruído a família e a vida de todos eles. Furioso, o povo colocou Marli para correr, e uma guarda foi montada no vale, a fim de manter a vilã sempre longe, e também de descobrir quem eram seus ajudantes.

E a história está prestes a terminar, mas parece que falta alguma coisa... Ah, sim! Não tendo mais que se esconder, e linda (e rica) como era, Larissa foi procurada por vários pretendentes. Agora, ela possuía sete pais. Conforme eles foram refazendo sua vida, ela foi adquirindo também novas mães (mas todas eram muito boas). Nenhum dos rapazes, porém, chamava a atenção dela. Até que apareceu um lindo moço, cujo olhar não lhe era estranho. Ele puxou um saquinho de joias e mostrou-lhe algo que fez seu coração acelerar. Era o colar que ela ganhara de herança de sua mãe, o mesmo que o pistoleiro levou como suposta prova de sua morte. Ela, então, reconheceu o rapaz, e ele declarou seu amor. Disse que não conseguia se desfazer do colar, que pensava nela todos os dias, e que nunca mais havia matado alguém, ou usado uma arma, depois daquele encontro. Então, ela pegou sua mão e sorriu. Sabia que não era branca como a neve, mas isso não importava, porque Moacir (por uma dessas coincidências da vida, este era também o nome do rapaz) disse-lhe que era linda como o ébano. E aí, enfim, todas e todos viveram felizes para sempre. FIM.

ECOLOGIA SE APRENDE EM CASA

Mesmo negando a necessidade de Deus, a sociedade atual não conseguiu se livrar de suas culpas e do peso do pecado. Catástrofes como a do Rio de Janeiro e a do Japão tornaram inevitável o seguinte questionamento: estaria o Deus (que esta mesma sociedade declarou não existir) zangado? É natural esta indagação, uma vez que já nos primeiros capítulos da Bíblia vemos a queda como consequência da desobediência. Por outro lado, principalmente nos Evangelhos, vemos um Pai que acolhe, perdoa, restaura, “esquece” a ingratidão do filho pródigo num abraço... Poderia este Ser, que passou de punitivo a amoroso, voltar a ser vingativo conosco hoje?


Não que o senso comum esteja sempre certo, mas numa coisa ele tem razão: o que move o mundo não são as respostas, mas as perguntas. Mesmo com tantos avanços científicos em nossos dias, temos inúmeras questões existenciais. De onde viemos, para onde vamos, o que devemos fazer no breve intervalo entre uma coisa e outra? O que dizer, então, do povo há quase 3000 anos? Por que o parto, início de uma nova vida, causa tanta dor? E o trabalho, fonte do nosso sustento, por que exige tantos sacrifícios? Os primeiros capítulos de Gênesis procuram responder a essas e outras dúvidas, não demonstrando como surgiram os dilemas, mas o porquê.

Salvo interpretações mais conservadoras, hoje já sabemos que os contos bíblicos não são necessariamente fatos históricos. Como explicar, por exemplo, que em Gn 6,19 entrou um casal de cada espécie na Arca de Noé, enquanto Gn 7,2 conta sete casais de animais puros? Antes da criação, tudo estava tomado pelas águas (Gn 1,1) ou era deserto (Gn 2,4b)? Essas e outras perguntas geram sérios problemas para leituras “ao-pé-da-letra” (fundamentalistas). Por isso, a preocupação atual não é tanto saber o que aconteceu, mas o que Deus quer nos falar e, por outro lado, de que forma as autoras e autores bíblicos entenderam e retransmitiram esta mensagem.

Este novo modo de olhar nos leva a rever algumas “verdades” bíblicas. A primeira delas é a afirmação de que Deus era punidor, tornou-se Pai amoroso e voltou a ser vingativo nos dias atuais. Como pode um Ser, que já é perfeito, evoluir ou mudar? Talvez seja o nosso olhar que mude. Isso explicaria como o Javé dos Exércitos, guerreiro à frente das batalhas dos israelitas, tornou-se o Paizinho Querido de Jesus. Portanto, crer num Deus vingativo, hoje, seria um retrocesso, um descaso com os ensinamentos de Cristo.

Na época em que foi redigido o relato do Pecado Original (Gn 3,1-19), o povo tinha, de fato, uma visão diferente do Sagrado. Por volta do século VIII a.C., sob o reinado de Salomão, acreditava-se que Javé era autor tanto do bem quanto do mal. A ideia de um ou mais espíritos malignos surgiu tempos depois, no período do pós-Exílio babilônico. Para os israelitas, Deus era bom, mas também justo. Logo, as dores de parto e a fadiga do trabalho, vistas como “mal necessário”, só podiam ser consequência de culpa humana. E como os líderes religiosos não nutriam muita simpatia pelas esposas estrangeiras de Salomão (e não eram loucos de criticar abertamente o rei), por que não criar um mito usando a serpente (símbolo dos deuses estrangeiros), que seduz a mulher (esposas), que seduz o marido (Salomão)? A severidade do castigo é, então, justificada pelo pecado grave da idolatria, isto é, da adoração a outros deuses. Ainda hoje, há quem considere justo isso. Mas não é esta a imagem do divino retratada pelos evangelhos.

Vamos encontrar, em Jo 20,1-18, uma recriação do Éden. Durante a madrugada, Madalena vai ver o Mestre sepultado, mas encontra o túmulo vazio. Pedro e o outro discípulo encontram a mesma cena. Porém, enquanto estes voltam para suas casas, a mulher continua a procura. Olhando, então, para o lado oposto ao do sepulcro (qual o lado oposto ao da morte, senão o da vida?), encontra um jardineiro. Se Eva inicia um processo de afastamento e esquecimento de Deus, Maria Madalena faz o caminho inverso. Primeiro ela vê apenas o Zelador do Jardim, como se estivesse olhando para alguém distante. Depois, como se chegasse mais perto, ela re-conhece o Criador (afinal, quem vê Jesus, vê o Pai). A partir dessa experiência com o divino, ela não sente mais medo (já não é mais de madrugada) e sai a recriar o mundo, isto é, vai correndo anunciar: “Eu vi o Cristo”.

Curioso que os Apóstolos não tenham dado crédito a esta mulher. Os homens passaram anos (alguns fazem isso até hoje) acusando as mulheres de serem perigosas, sedutoras, porta de entrada do pecado. Mas conseguiram bravamente resistir à sedução quando estas portavam a Boa Nova. Foi necessário o próprio Cristo ressuscitado aparecer entre eles para que agissem. Sim, porque a verdadeira experiência de Deus nos leva a agir. O discípulo amado acreditou, ao ver o túmulo vazio, mas limitou-se a seguir Pedro. Criticamos o Apóstolo incrédulo, mas somos todas e todos meio “São Tomé”.

Está na moda falar em Ecologia. Pensar a criação é pensar ecologicamente. O ser humano é convidado a contemplar o rosto de Deus em suas criaturas, tendo a responsabilidade de zelar pela saúde do nosso planeta. Ações simples, como não jogar papel de bala no chão, ajudam a preservar o meio ambiente. Reciclar, reaproveitar e reutilizar são as palavras de ordem. É preciso mudar de uma relação de exploração para uma postura de cuidado mesmo com a Mãe-Terra. Infelizmente, muitas medidas são tomadas somente quando a situação já está crítica. Por isso, na maioria das vezes, só resta remediar. Mas, então, o que fazer para mudar esse quadro? Comecemos olhando para os lados. A forma como tratamos as outras pessoas reflete que tipo de relação temos com o restante da natureza.

“Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4,20). Ora, é impossível amar o Criador e não amar sua Obra. Amar é conhecer. Há quem pense que a natureza se resume a animais, rios e florestas. Homens e mulheres, porém, são o ápice da criação (Gn 1,27). Se os homens, desde há muito tempo, subjugam as mulheres, o que podemos esperar que façam com o planeta? Se os brancos escravizam índios e negros, não é de se estranhar que coloquem animais em gaiolas. Se os adultos menosprezam a capacidade produtiva e intelectual de jovens e idosos, o que podemos esperar que aprendam com os astros? Se as pessoas guerreiam por causa de sua religião, como esperar que respeitem animais, plantas, rios e até mesmo o ar que respiram? Se os ricos assim se fizeram explorando os pobres, por que não veriam a natureza como uma grande oportunidade de negócio? Quando o planeta, doente, reage, ficamos assustadas e assustados, e dizemos que é a “ira divina”. Mas a verdade é que, se queremos um novo Céu e uma nova Terra, devemos começar por novas relações interpessoais, baseadas não mais na exploração, mas no amor.

BANCOS PREFERENCIAIS: PRA QUÊ?

Estou saindo para Rio Grande/RS, fazer mais uma de minhas assessorias. Meu trabalho é promover a leitura bíblica popular. São 06:30h de um sábado. Sigo de trem até a rodoviária de Porto Alegre/RS. Entre uma estação e outra, cenas comuns. Uma delas, porém, me chama a atenção. Um idoso pede à mulher que o deixe se sentar. Ela não cede. Outro passageiro lhe sugere ocupar um assento vago. Depois que ele se acomoda, a senhora se percebe num banco preferencial. Ela pede desculpas e afirma que dará o lugar ao próximo idoso, gestante ou pessoa com deficiência que entrar no trem.

Um final aparentemente feliz. Entretanto, o desfecho me incomodou. As leis foram feitas para facilitar o convívio em sociedade, mas o modo como são aplicadas acaba bitolando as cidadãs e cidadãos deste país. Ninguém se pergunta por que existem bancos preferenciais. As pessoas se habituam a cumprir as regras, não porque as entendem, ou as consideram justas, mas por medo de serem punidas.
Numa sociedade que se diz cristã, se os valores fossem, de fato, cristãos, todos os bancos, filas e caixas seriam preferenciais. Alega-se que os idosos conquistaram este direito pelos serviços prestados à comunidade. Mas, mesmo que nada tivessem feito, possuem menos resistência física que jovens e adultos. Por mais fortes que aparentem ser, cansam-se bem mais rápido. Vendo o descaso com as velhinhas e velhinhos, dá vontade de gritar: cadê a solidariedade com a próxima, o próximo?
Revolta, ainda mais, perceber que a falta de caridade não acontece somente com a terceira idade, nem apenas nos trens e ônibus. Outro dia, em minhas andanças, discutíamos sobre o sistema de cotas nas universidades. É triste ver companheiros de caminhada dizerem que as cotas são injustas com os brancos. Numa sociedade onde houvesse igualdade de condições, eles teriam razão, mas os negros, ainda hoje, são os que menos ocupam os espaços do poder. Basta um dia em uma universidade, centros empresariais, shoppings, igrejas centrais, ou prédios do poder público, para ver qual a cor de pele predominante entre os transeuntes. Em contrapartida, a maior parte da população brasileira é de pardas e pardos, negras e negros. Por que, então, o acesso às oportunidades é inversamente proporcional?
Podemos aplicar a mesma lógica à questão do Bolsa-Família. É público e notório que se trata de uma medida paliativa e assistencialista. Mas o que mais revolta boa parte da população é o fato de que os mais beneficiados são os nordestinos. Ora, o nosso país tem uma dívida tão grande com eles quanto a que ostenta junto aos índios e negros. Até hoje, setores públicos e privados do Brasil e do mundo exploram as riquezas naturais daquele solo, enquanto mantêm o povo local na miséria. Deveríamos reivindicar mais direitos para aquela região, em vez de acusar seu povo de “viver às nossas custas” (é muito comum ouvir isso na região Sul do país).
Há um texto bíblico que mostra Javé descontente com os sacrifícios (Is 1,10-20). São os ritos do Templo. Ou seja, é o reto cumprimento da Lei. Venerada como Vontade de Deus, ela foi instituída para facilitar a convivência e consolidar a identidade do povo israelita. Porém, a elite judaica manipulou os santos mandamentos para submeter o povo à sua vontade. O profeta Isaías denuncia esta prática e anuncia que a Vontade de Deus é que se faça o bem, principalmente ao órfão e à viúva, isto é, aos prejudicados e excluídos da sociedade.
Podemos comparar essa passagem com o que vimos até agora. Também no nosso caso, o simples cumprimento da lei não é o suficiente para garantir vida digna aos órfãos e viúvas dos nossos tempos. Devemos exigir que as autoridades continuem, sim, determinando regras, mas – como diria Paulo, em sua carta aos coríntios – isso de nada servirá se não amarmos nossas/os semelhantes (1Cor 13,1-3). Paulo adverte que o amor não é um sentimento pra ficar curtindo, num mundinho paralelo. Amar é agir. O amor é paciente, mas também não se agrada com a injustiça. Tudo desculpa, mas se regozija com a verdade (1Cor 13,4-7). Precisamos de normas que nos façam lembrar as necessidades de outras pessoas, mas devemos também mudar nossa cultura, cumprindo os mandamentos por amor aos outros, e não por medo de punições.
Bom, mas começamos falando sobre bancos preferenciais. Neste momento, estou no ônibus, sentado na poltrona nº 9. Nada demais, se neste ônibus os dez primeiros assentos não fossem executivos, e o restante comum. Paguei R$ 20,00 a mais para ganhar um copo d’água, um travesseiro e um banco mais reclinável (recurso que, aliás, não estou usando, por dar vazão ao desejo intenso de escrever). São quatro horas e meia de viagem. Eu sempre viajei na ala comum, mas queria saber qual a vantagem de estar aqui. Percebi só uma diferença: os pagantes comuns ficam te olhando com despeito. Por que será que, mesmo num ônibus de viagem, algumas pessoas precisam ter tratamento diferenciado? Estou sinceramente envergonhado por esta experiência, mas foi bom ter passado por ela. Só assim para entender que, enquanto uns e umas quiserem ser mais que outras e outros, precisaremos ter bancos para idosas e idosos, gestantes e pessoas com deficiência, cotas nas universidades e Bolsas-Família.

VALOR SEM LIMITES

Outro dia, vi uma cena que merecia uma charge: uma senhora carregando seu cachorrinho no colo, enquanto trazia consigo o filho num colete preso por uma corda. A cena seria cômica, se não fosse trágica. É, no mínimo, estranho que alguém busque contato físico com um animal de estimação, privando desse carinho seu próprio rebento. Eis um perfeito retrato de como a humanidade inverteu seus valores.
A vida humana perdeu o sentido quando deixou de ter valor, ou melhor: quando começou a ter um valor monetário, financeiro. E isso não é de hoje. A confissão dos jovens que, por diversão(?), mataram o líder pataxó Galdino Jesus dos Santos, em 1997, espantou o Brasil: “pensamos que fosse um mendigo”. Desde quando a vida se mede pela condição social de uma pessoa?
Quando o crime aconteceu, a população logo fez eco à mesma e velha máxima utilizada ainda hoje: “Faltam limites para essa juventude que está aí”. De fato, é muito comum ouvirmos falar que o filho da vizinha está crescendo “solto demais”. Parece até que só se mantém a ordem quando as pessoas estão sob controle. A turminha de jovens que se encontra na pracinha, por exemplo, é chamada de desordeira porque ninguém “pode” com eles. Mas será que impor limites é a solução?
Quando perguntado sobre o fato de seus discípulos não se purificarem, isto é, não se lavarem antes das refeições (este rito era imposto pela lei judaica), Jesus respondeu duramente: “Não é o que vem de fora e entra na pessoa que a torna impura, mas sim o que sai dela” (Mc 7,15). Cristo queria dizer, com isso, que as coisas externas não tornam ninguém puro nem impuro, mas sim o seu caráter, moldado no interior do ser humano e revelado por suas atitudes.
As leis se tornam impositoras de limites na medida em que nos dizem o que podemos e o que não podemos fazer. Criadas e aplicadas pelos nossos representantes no Congresso Nacional, elas são externas a nós, impostas de cima para baixo, muitas vezes não correspondendo àquilo que, em nosso interior, acreditamos ser a decisão mais correta. Sem cultivar uma cultura de valores, elas poderão até ser obedecidas, mas não cumprirão o seu objetivo, que é educar para a cidadania.
A maior prova de que o caráter da pessoa vale mais do que a lei está no fato de que ela, sujeita à interpretação humana, tem sido manipulada através dos tempos. Essa, aliás, é a denúncia de Jesus, no texto que lembramos. Quando questionado, pouco antes de falar sobre o que entra e sai do corpo, Ele primeiro lembrou como a lei de honrar pai e mãe (inclusive acudindo-os financeiramente) era burlada, dando-se a desculpa de que o dinheiro estava destinado à oferta no Templo (Mc 7,9-13). É a mesma lógica que parece mover nossa classe política, que pratica 62% de aumento do próprio salário e, no mesmo período, aprova o aumento de menos de 6% do mínimo. Ou seja, usava-se – e hoje ainda é assim – a lei conforme o interesse de quem detém o poder.
É necessário, portanto, resgatar os valores humanos, em vez de insistir em impor limites. Um animal adestrado pula sem saber por que está pulando. Um/a jovem que não sabe por que deve dar à vida de um mendigo o mesmo valor que à sua própria, em que se diferencia do animal? Tentar educar uma pessoa depois de seu caráter formado é lutar para que a água corra rio acima. Por isso, reduzir a maioridade penal, decretar o toque de recolher para jovens, aprovar a pena de morte e a prisão perpétua, é esquivar-se da responsabilidade social de que todos partilhamos, ao ter ou não ensinado valores às nossas crianças. Depois de formados, não adianta marginalizá-los. Afinal, que valor tem uma sociedade que deturpa seu filhos para depois destruí-los?

UMA OPÇÃO HISTÓRICA

Resisti ao assunto porque não achei que algum dos candidatos a Presidente merecia uma linha deste blog a seu respeito.

Mas as bobagens que li e ouvi, as farsas que andei presenciando, e o fato de ver pejoteiras/os (jovens militantes da Pastoral da Juventude - PJ - da Igreja católico-romana, historicamente engajada nos movimentos sociais) chamarem seus colegas de "esquerdistas" (usando o termo como se fosse uma ofensa), tudo isso pesou em minha consciência.

Ser eu me omitisse, neste momento, como eu poderia esperar uma postura profética de minhas companheiras e companheiros de jornada?

Enfim, sem mais delongas, vejam o texto:


UMA OPÇÃO HISTÓRICA

Tudo começou lá no Êxodo. Um dia Javé ouviu o clamor do povo, viu sua miséria e então desceu (Ex 3,7)... Desde então, sempre esteve em meio aos pobres. Já, a Igreja de Pedro... Diante dos últimos acontecimentos, decretou que os senhores bispos não se envolvessem em questões políticas, o que não deixa de ser um gesto político (claro! assim ela não fica mal com ninguém!). Que tristeza... Graças a essa falta de um posicionamento claro, seus fiéis não param de atacar uns aos outros, divididos em duas fileiras, cada grupo achando que tem o aval do Papa. Mas, e Jesus? Está com quem?

Bom, ao longo da História, Ele sempre demonstrou que não está a favor das elites. Logo, não dá pra dizer que, nestas eleições, Cristo esteja com Dilma ou Serra. Este representa a direita, defensora do capitalismo neoliberal, embora queira se passar por socialista. Aquela representa a esquerda, historicamente socialista, embora seja a continuação de um governo que, mesmo caindo nas graças do povo, não implantou o regime esperado, minimizando apenas os efeitos do capitalismo selvagem. Embora diferentes em sua raiz, PT e PSDB defendem projetos que não combatem o mal em sua essência, pois ambos têm por princípio a manutenção do atual – e perverso – sistema econômico.

Então com quem está Jesus? Sim, porque um Cristo apolítico é invenção dos ricos, para que a massa não se meta nas decisões do país. Se a Igreja não quer tomar partido, Deus não liga pra isso, pois se põe do lado dos menos favorecidos desde sempre. Mesmo que as semelhanças entre Lula e FHC tenham confundido o eleitorado recente, não podemos nos esquecer que, historicamente, a esquerda sempre foi porta-voz dos pobres, enquanto a direita sempre esteve a serviço dos poderosos. Por isso, mesmo que os partidos políticos não tenham sido invenção divina, é certo que, enquanto não surgir uma proposta diferente, Deus apoiará a esquerda socialista.

Aliás, textos como At 4,32-35 indicam o desejo divino de um sistema comunista. Melhor, comunista não... Pôr tudo em comum não deve ser uma exigência do Estado, mas entrega livre de cidadãs e cidadãos. Talvez por isso tenham fracassado as experiências colocadas em prática na URSS e outros países (hoje não mais) socialistas. Então, por que não defender um sistema econômico comunitário? O nome muda um pouquinho, mas faz uma grande diferença, pois imprime um movimento que nasce do meio, dos membros, não de cima para baixo (como aconteceu com o comunismo). Ou, então, podemos utilizar o já consagrado termo “Economia Solidária”. O importante é entender que o comunismo falhou por falta de liberdade, não de Deus (defensor dos pobres, mesmo os ateus).

Mas voltemos a estas eleições. Agora não dá para lamentar, pensar em propostas alternativas. O 1º turno, com mais possibilidades, era o momento certo para isso. Agora sobraram um partido de esquerda e outro de direita, ainda que ambos estejam próximos do centro. Militante consciente vota Dilma, sem hesitação. Mas vota sabendo que a luta por um Brasil melhor continua sendo missão popular. Ser fermento na massa (Mt 13,33; Lc 13,20-21), no fim das contas, não é catequisar, doutrinar o povo, mas caminhar junto, fazendo com que, pela nossa ação, a massa não se conforme, mas transforme-se (= ultrapasse os limites impostos pela forma), transformando-nos com ela (Rm 12,2).

RAP DE JONAS

Olá, pessoas!!!


Hoje vou quebrar as regras e o protocolo. Vou postar um texto que não é meu. Este presente foi uma composição de autoria de jovens que fizeram o curso de Bíblia e Ecumenismo, promovido pelo CEBI de Santana do Livramento/RS, região de fronteira com o Uruguai.

Espero que apreciem! Ao final, o link do vídeo com a música!

Ah, caso passe despercebido, a letra foi inspirada no quarto capítulo do livro de Jonas. Com vocês, o...

RAP DE JONAS
Jonas tava mal, tava muito despeitado e rezou a Javé:
Ah, Javé! Não era isso que eu queria!
O Senhor disse que a cidade puniria!
Quando fugi da sua ordem, era porque eu sabia:
Você cheio de amor, sua ira passaria!
Jonas, irritado, não queria mais viver,
Pediu a Javé para sua vida remover!
Javé respondeu: “Vale a pena irritar-se assim?”
O sol estava forte, Jonas não se protegia,
Javé mandou a mamoneira que sombra lhe fazia!
Jonas ficou contente com essa manoneira,
Mas Deus mandou uma praga para dar uma lição:
Nem tudo é tão fácil, tem que respeitar o irmão!
Jovens estão morrendo, não podemos descuidar!
Chega de extermínio, vamos juntos anunciar!


ECOS DA VIDA

Chegando setembro, mês da Bíblia para os católicos de rito romano, a proposta neste ano de 2010 é ler/estudar o livro de Jonas, buscando refletir o desafio de ser missionário no mundo urbano. Assim como é narrado no texto, também hoje Deus nos chama: “Levante-se e vá à Cidade Grande” (Jn 1,1). Temos sido profetisas e profetas fujões, ou protagonistas?
Esta reflexão pretende duas coisas: descobrir qual a nossa missão hoje e mostrar como Jonas nos ensina tudo o que um missionário NÃO deve ser. Tanto a profetisa como o profeta precisam estar atentos e disponíveis ao chamado, que só pode ser escutado através dos sinais, os ecos da Palavra de Deus. Jonas ouve esses ecos, mas não está disponível, tanto é que confessa a Deus: “Eu sabia... por isso fugi!” (Jn 4,2).
São três os gritos que ecoam hoje: Ecologia, Economia e Ecumenismo. Estes, os ECOS da Vida. Porém, o projeto de Jonas é de morte. Javé o envia para denunciar a maldade de Nínive (Jn 1,1), mas ele anuncia a destruição (Jn 3,4). O ódio que nutre pelos ninivitas o faz preferir a própria morte (Jn 4,3.8b.9b) do que presenciar Javé perdoando e restaurando a vida daquelas pessoas e animais (Jn 3,10).
O ódio de Jonas até que se justifica pelo fato de Nínive ser a capital da Assíria, símbolo das forças imperialistas que oprimiam o povo judeu. Mas querer a morte do opressor é o projeto de quem pretende tomar o poder. O autêntico projeto popular quer vida para todos. Olhando o texto, vemos que o Templo só é citado duas vezes, quando Jonas, no interior do grande peixe, lamenta não poder mais contemplar sua beleza (Jn 2,5.8). E quando o rei decreta jejum em todo o reino (Jn 3,6-9), o povo já está “vestido de saco” há muito tempo (Jn 3,5). Por isso, defendem os estudiosos que o livro é escrito por um movimento popular de resistência tanto ao poder externo, imperial, quanto ao poder interno, exercido pelos sacerdotes do Templo em Jerusalém.
E como entender os ecos que movem a nossa missão, a partir deste projeto popular? “Eco” vem do grego “oykos”, que significa “casa”. A ecologia, portanto, estuda as relações da pessoa humana com o meio ambiente, casa de todos os seres vivos. Jonas se aborrece porque Javé faz uma mamoneira morrer. O que lhe irrita não é o fim da mamoneira, mas ter perdido sua sombra, seu conforto (Jn 4,6-9). Então Javé lhe faz a pergunta que é o grande desfecho do livro: “Você tem pena de uma manoneira, que não lhe custou trabalho... e Eu não terei pena de Nínive, a grande cidade, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos... e muitos animais?” Javé quer a vida de todo o planeta: rios, florestas, animais e seres humanos. Limitamos nossa compreensão de meio ambiente às florestas e rios. Mas nossos esgotos a céu aberto, a água que desperdiçamos, o óleo que jogamos no ralo, o lixo sem tratamento ou jogado nos terrenos baldios, a extração indiscriminada do petróleo, o descaso com as pessoas que vivem abaixo da linha da miséria, comendo as sobras... Não serão estes problemas ecológicos também?
Quando se fala em economia, pensamos logo em dinheiro. Mas “oykos-nomia” são as regras, as normas de regência da casa. Se esta palavra está atrelada ao dinheiro, hoje, deve-se ao fato do nosso sistema econômico ser capitalista. Tudo se organiza a partir de um valor financeiro. As coisas que custam mais caro são as mais importantes. As “pessoas que interessam” são as mais ricas. Hoje, até uma ideia pode ser vendida, sendo-lhe atribuído um valor monetário. É comum as pessoas nos fazerem um favor e, quando vamos agradecer, ouvirmos: “não precisa agradecer; um dia vou precisar de você!” Até os favores se tornaram moeda de troca... No tempo de Jonas não era bem assim, mas o ódio que este nutria pelos ninivitas vinha do fato de que o rei, isto é, o imperador cobrava pesados impostos de seus subordinados, ou alimento para seus exércitos, ou mulheres para sua diversão, o que empobrecia e humilhava cada vez mais o povo. O engraçado é que Jonas devia achar justo o preço das ofertas que os judeus tinham que apresentar ao Templo para serem purificados. Mas... e nós? Como podemos substituir, ou viver de forma alternativa à imposta pelo atual sistema econômico?
Por fim, o ecumenismo, “oykos-úmene”, casa comum. Jonas ouve a Palavra de Deus, mas não a pratica. Os marinheiros estão mais atentos aos ecos desta Palavra. Eles percebem, no comportamento anormal das ondas, a ira de um Deus. Como verdadeiros sacerdotes, resolvem a questão oferecendo um sacrifício, isto é, jogando Jonas ao mar. O problema se resolve. Quando está em Nínive e ameaça a cidade com a destruição, Jonas não espera que o povo tome a iniciativa de jejuar e vestir-se de saco, buscando aplacar a ira de Javé pela penitência. Eles reconhecem o poder de Javé, assim como os marinheiros, mas o texto não diz que se tornam judeus por isso. Jonas não é nada ecumênico, mas o povo é. E quem escreve o texto procura demonstrar que Javé também é ecumênico. Ele quer o arrependimento dos ninivitas, mas também o de Jonas. Como estão nossas relações ecumênicas hoje? Os mesmos problemas sociais que atingem os cristãos, atingem também espíritas, budistas, ateus... Temos consciência disso? O que fazemos para tornar nossa casa comum?
Tendo pensado rapidamente sobre os Ecos da Vida, como podemos continuar esta reflexão? O livro de Jonas é crítico ao Templo e ao sistema econômico opressor, e aponta como solução o levante popular. A mensagem está bem clara. Que ações podemos realizar, além de projetos como o “Ficha Limpa” e o “Plebiscito pelo Limite da Propriedade de Terra”, que são importantes conquistas populares, mas não passam de paliativos, soluções temporárias que não resolvem definitivamente o problema? Como fazer, por exemplo, para que a campanha contra a violência e extermínio de jovens, que é iniciativa das Pastorais de Juventude católico-romanas, mas que deveria ser assumida por todas as Juventudes, não se torne outro paliativo, mas solução eficaz?