“E no sétimo dia (Deus) descansou.” (Gn 2,2)
Eis uma pergunta que não quer calar: Deus descansa? Mas que irresponsabilidade é essa? Deixar a gente aqui, sem mais nem menos, vulnerável às intempéries do mundo?
Ele nos colocou aqui, foi descansar e agora a gente que se vire???
Bem... Algumas interpretações do texto chegam inevitavelmente a esta conclusão. Mas são interpretações descontextualizadas, que não levam em conta nem a época em que o texto foi escrito, quanto mais o que estava acontecendo.
Estamos lembrados??? A época é de Exílio! Os judeus estão na Babilônia. Bom... Nem todos os judeus! Só a corte judaica é que foi deportada, na verdade...
A elite judaica estava habituada à vida sedentária da corte. Na Babilônia, tinha que trabalhar de sol a sol.
Descanso? Dia de folga? Pra quê??? Na Babilônia, quem comandava o calendário eram os astros (particularmente a Lua). Então os descansos e dias de festa eram raros, se comparados ao descanso semanal dos judeus.
O calendário judaico era organizado por semanas de 7 dias, assim como o nosso, de hoje em dia. Mas o dia de descanso era o sábado.
Então o autor relata que Deus conclui a obra em 6 dias e descansa no sétimo, reforçando que o descanso sabático é querido por Javé.
Afinal, o trabalho também não pode ser um ídolo. O lucro a qualquer preço e o consumismo desenfreado coisificam a pessoa.
É preciso redescobrir que o trabalho só dignifica o homem (e a mulher?) se, em nossa escala de valores, o trabalho estiver a serviço da humanidade, e não o contrário.
Mas o autor parece querer dizer mais! Vejamos...
Outro motivo para não parar de trabalhar. Dizem os mais velhos que “mente vazia é oficina do diabo.” Os babilônios sabiam disso muito bem. Escravo parado é mente trabalhando; mente trabalhando é revolta organizada, na certa.
O sétimo dia encerra uma obra. São 6 dias de organização do caos; e a conseqüência disso é a Vida.
Um calendário diferente implica uma organização diferente da nossa rotina, do dia-a-dia. Um dia de descanso por semana é tempo mais que suficiente para organizar a resistência contra a opressão.
Além disso, ao dizer que o sabbath é fruto da Vontade de Javé, o autor excita a memória dos(as) leitores(as).
O dia de descanso é tempo de lembrar, ao redor da fogueira, os tempos felizes, em que Javé estava ao lado do povo. É tempo de rever nossa conduta, perceber que a condição atual é fruto de nossos erros, e que Deus continua ali, ao nosso lado, motivando-nos a levantar e nos voltarmos para Ele.
O ápice do primeiro capítulo, portanto, é o sétimo dia. Inclusive, se lermos atentamente Gn 2,2-4, veremos que não houve uma tarde e uma manhã (cf. Gn 1,5.8.13.19.23.31). Ou seja... O sétimo dia dura até os dias de hoje!
O que isso quer dizer? Simples... O número da perfeição é o 7, mas a obra foi concluída em 6 dias. Mais ainda... Em 6 dias, Deus realizou 8 obras (veja que tanto o terceiro quanto o sexto dia encerram duas obras cada um).
Com isso, o autor reforça que a criação está pronta, mas não é perfeita. É no sétimo dia que ela vai atingir a perfeição. E quem recebe o “chapeuzinho de Mestre-de-Obras” no sétimo dia?
E lá vamos nós, aos trancos e barrancos! Tentando aperfeiçoar a obra, mas cometendo um deslize aqui, outro ali... As ordens do Projetista são claras, mas o Mestre-de-Obras comete 5 errinhos básicos e, em virtude deles, estamos até agora tentando trazer a obra de volta à planta original.
E olha que já recebemos até a visita de um dos Idealizadores deste Projeto...
Quais são estes 5 erros??? É o que veremos, na seqüência!
Até lá!!!
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Já deve ter ficado claro o perigo da idolatria, pelo que dissemos até aqui.
Se perguntarmos a qualquer cristão, ou cristã, o que significa a idolatria, eles não vão ter nada agradável a dizer sobre ela.
Entretanto, não é fácil identificá-la! Isso porque ela representa nossos projetos, normalmente de realização pessoal e, por isso mesmo, opostos ao Plano de Deus.
Inconscientemente sabotamos nosso ideal de fidelidade a Deus, por ser natural querermos que sua Vontade nos seja favorável, serva de nossos propósitos.
É por isso que o primeiro relato da criação segue desmistificando os falsos ídolos. Depois do Sol (Marduc) e da Lua (Ishtar -- radical que, na verdade, dá origem à palavra “estrela”), é a vez dos bezerros de ouro, bodes e cabras sagrados etc:
“Deus disse: ‘Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu’, e assim se fez... E Deus viu que isso era bom. Deus os abençoou e disse: ‘Sede fecundos, multiplicai-vos...’ Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia.” (Gn 1,20-23)
Ainda não se fala de nenhum animal terrestre, mas notemos que pela primeira vez Deus bendiz, abençoa sua criação.
A bênção implica a multiplicação da Vida. Fica evidente que não se trata de uma exclusividade, de um “tratamento VIP”, destinado à humanidade.
E por falar em humanidade...
“Deus disse: ‘Que a terra produza seres vivos segundo sua espécie: animais domésticos, répteis e feras segundo sua espécie’, e assim se fez. Deus fez as feras segundo sua espécie, os animais domésticos segundo sua espécie e todos os répteis do solo segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom.” (Gn 1,24-25)
O autor repete, no v. 25, o que já havia afirmado no v.24, enfatizando que não só a humanidade, mas todos os animais terrestres foram feitos no sexto dia.
“Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança...’ ” (Gn 1,26a)
Quem acompanhou as reflexões até aqui, facilmente consegue ver que, mesmo sob a aparência divina (Imagem e Semelhança), toda a humanidade, incluindo o rei babilônio (auto-denominado “filho do deus Marduc”), não passava da condição de criatura. Mas o texto segue...
“ ‘... e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra.’ ” (Gn 1,26b)
E é aí que reside o maior dos males: o homem recebe uma responsabilidade (cuidar do planeta), mas entende isso como um privilégio, do qual pode tirar proveito.
Dito de outra forma: Recebemos o papel de “pastores”, mas resolvemos agir como “lobos”.
Com a maior das responsabilidades na mão, a humanidade ainda encontra tempo para se nomear medida de todas as coisas.
Deus é destronado para a ascensão do homem, do antropos. Pronto... Está instaurado o ANTROPOCENTRISMO.
É em função disso que a relação com a terra (agora já não é mais “Mãe” e escreve-se com minúscula) deixa de ter benefícios mútuos e passa a ser de exploração.
Nisso têm culpa o homem e a mulher, como faz questão de afirmar o v. 27, quando destaca a sua igualdade de condição. Mas o antropocentrismo é tão antropocêntrico que subordina até mesmo a mulher.
O autor, talvez sem perceber o quanto será mal interpretado, segue o texto (v. 28), repetindo a expressão “dominar”, responsabilizando agora também a mulher e acrescentando a bênção divina.
Em sua “inocência”, relata que no princípio não havia carnívoros (vv. 29 e 30). Todos, humanos e animais, eram vegetarianos, pois não é desejo de Deus o derramamento de sangue.
Isso porque o sangue está intimamente ligado à sobrevivência e à manutenção da Vida.
E Deus viu que toda a sua obra é boa. Aliás... Boa não... Muito boa!!! Só que a sua “zeladora”, a humanidade... bem... sobre isso continuamos outra hora!
Até lá!!!
Até aqui já dissemos o que entendemos por: Bíblia, Juventude e Ecologia.
Além disso, vimos que Deus vence a Morte no terceiro dia; e isso logo nos primeiros versículos da Bíblia.
É Deus que transforma o caos em ordem, torna o deserto verde, submete as trevas à luz e impõe limites às águas agitadas.
Vencida a Morte, estava preparado o terreno para que a Vida florescesse! Mas aí...
“Deus disse: ‘Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra’, e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro como poder do dia e o pequeno luzeiro como poder da noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, para comandar o dia e a noite, para separar a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.” (Gn 1,14-19)
Estamos tão acostumados ao texto que nada percebemos de estranho neste trecho... não é!?! Mas há algo estranho sim... Luz e trevas já não estavam separados por Deus?
Percebam com que insistência o narrador explica a função dos luzeiros. Bastava apenas dizer que o maior rege o dia e o menor rege a noite. Mas ele repete, repete, repete... E não diz o nome dos luzeiros. Não é estranho???
Talvez sim... Mas se nos lembrarmos que o texto foi escrito numa situação de cativeiro (Exílio na Babilônia), as coisas começam a ficar mais claras.
Entre o povo, o sentimento de derrota só não superava o de vergonha. Javé, que até então havia ajudado os judeus a vencer os outros povos, não fez nada contra os babilônios, que dominaram Judá facilmente. A conclusão só podia ser uma: o deus babilônio era mais forte que Javé.
A Babilônia não tinha apenas um deus. O mais poderoso entre eles era Marduc: nome dado pelos babilônios ao Sol. Ishtar (cujo radical, na verdade, dá origem à palavra "estrela") era o nome dado à Lua. Portanto, pronunciar os nomes dos luzeiros era dar força aos deuses babilônios.
Na mitologia babilônica, Marduc vence o caos, igualmente numa cena onde a água é abundante e é sinal de Morte. É que a Babilônia era cercada por dois dos 4 grandes rios conhecidos da época: Tigre e Eufrates, cujas cheias irregulares eram sinal de preocupação constante.
É importante também dizer que os babilônios inventaram o horóscopo. A Natureza era uma confraria de deuses, conspirando contra ou a favor da sorte do povo. Tudo dependeria dos ânimos dos astros.
Tudo dependeria também do filho de Marduc. E esse era ninguém menos do que o Rei da Babilônia: o legítimo portador da vontade de deus.
O autor do primeiro relato de Gênesis, portanto, quer fortalecer a fé e a esperança do povo, mostrando que os astros não são deuses, mas criaturas do Único Deus: Javé.
Não cabe ao relato de Gênesis explicar por que Javé permitiu o Exílio. Isso farão os círculos proféticos, tentando provar que a culpa era proveniente dos pecados do povo.
O que lhe cabe é fazer uma nova Teologia da Criação, reforçando a condição de criatura, conferida a Marduc. Para reforçar isso, o texto mostra que a luz é criada bem antes do astro-rei (4 dias). E se o Sol traz a luz, é porque esta é a missão que Javé lhe confiou. O mesmo acontecendo com a Lua (Ishtar), em relação à noite.
O resultado dessa nova Teologia é que somos novamente livres. Nosso destino não está mais nas mãos de reis, ou astros, ou de qualquer outra ideologia dominante.
Hoje muitos ecólogos querem estabelecer uma relação de verdadeira adoração à Natureza. Novamente se dá força à astrologia, ao poder místico das pedras, à função terapêutica das plantas... Quando o bem-estar que sentem, na verdade, é fruto de uma pequena sintonia com parte do meio ambiente. Nada mais!!!
Sintonia esta que perdemos há muito tempo, conforme veremos no próximo encontro.
Mas convém que se diga, para encerrar este tema, que a verdadeira ecofilia não transforma as criaturas em mais do que elas são. Não preciso dar status de deus ou deusa ao chão que piso, para entrar em sintonia com a Mãe-Terra.
Agindo com arrogância e pretensa superioridade (veremos mais sobre isso quando falarmos em Imagem e Semelhança), a humanidade vem agredindo sistematicamente a Natureza. Isso está matando nosso planeta.
Mas agimos com absoluta leviandade quando trocamos a nossa liberdade de filhos e filhas de Deus por um destino que nos isenta de qualquer responsabilidade diante dos fatos.
Só quando assumirmos que somos tão criaturas quanto o sol ou a lua, e que fazemos parte de um todo que é o cosmo, restabeleceremos de forma saudável e harmoniosa o equilíbrio do Universo.
No encontro anterior vimos que:
=> A Juventude é o Presente.
=> A Bíblia está intimamente ligada à Vida.
=> E a Terra é um Ser Vivo, em Comunhão com seus habitantes (nós entre eles) e o Universo.
Vimos também que estas definições não são as mais tradicionais, mas as que melhor expressam uma Ecologia pensada por cristãos ecófilos.
A bem da verdade, dentro de um cristianismo autêntico, o termo “ecófilo” soa redundante. Isto porque Deus ama toda a Criação: a Natureza, inclusive.
É o que nos relata a poética narrativa do primeiro capítulo da Bíblia. Aliás, a Fé num Deus Criador está muito bem representada no livro com o sugestivo nome de Gênesis.
Que a Criação implica Vida, não há dúvida! E que, pela Ressurreição de Cristo, a Vida venceu definitivamente a Morte, também não! Mas o que uma coisa tem a ver com a outra?
Bom... Cristo venceu a Morte em três dias... não é!?! E isso nos relatam os Evangelhos... Certo!?! Sim... Mas não só eles!!! A Bíblia já começa com Deus vencendo a Morte em três dias! Como??? Vejamos:
“No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas.” (Gn 1,1-2)
Antes dos dias, Deus cria o céu e a terra, mas a situação é de caos. São 3 os símbolos da Morte:
=> Terra vazia => Em algumas traduções, diz-se que a terra estava vazia e sem forma (estou utilizando a tradução da Bíblia Jerusalém). Estando vaga, vazia ou sem forma, de qualquer jeito ela está deserta, ou seja: sem vida.
=> Trevas => O mais tradicional símbolo da Morte.
=> Águas agitadas => Embora seja um tradicional símbolo da Vida, a água (ainda que habitada pelo Espírito, ou sopro de Deus) aqui vai ser sinal de Morte.
Ainda falando sobre as águas... A redação do texto -- e isso veremos adiante -- data do fim, ou do recente pós-Exílio na Babilônia. Todos nos lembramos do Sl 137(136),1:
“À beira dos canais de Babilônia nos sentamos, e choramos com saudades de Sião.”
O povo chorava à beira do rio, vendo aquela fartura de água, mas lembrando da liberdade que gozava em Sião.
Seguindo a narrativa:
“Deus disse: ‘Haja luz’, e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.” (Gn 1,3-5)
No primeiro dia, Deus vence as trevas, o mais tradicional símbolo da Morte.
“Deus disse: ‘Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas’, e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento ‘céu’. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia.” (Gn 1,6-8)
Aqui vemos que a água envolvia toda a terra, imagem que será retomada na cena do Dilúvio, também uma cena onde as águas significam Morte.
Na imaginação de então, o céu era uma imensa redoma contenedora de águas. Claro... Olhavam para o céu e ele era azul como o mar. Além disso, de vez em quando chovia água do céu.
Era uma visão de mundo própria da época. Mas o importante aqui é ver que, ao criar o firmamento, Deus impõe limites à força opressora das águas. O Deus Criador é também um Deus Libertador, que vence a Morte e o regime opressor.
“Deus disse: ‘Que as águas que estão sob o céu se reúnam num só lugar e que apareça o continente’, e assim se fez... Deus disse: ‘Que a terra verdeje de verdura: ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente’, e assim se fez... e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia.” (Gn 1,9-13)
Que a terra verdeje... Deus faz aparecer os continentes (dá forma à terra) e eles verdejam de verdura. Ou seja: o deserto é vencido pela força criadora de Deus, que transforma o terreno hostil em fonte de vida.
Aliás, falando em transformação... Deus transforma os sinais da Morte em sinais de Vida. Mesmo as trevas, sendo limitadas pela luz, tornam-se fonte de descanso e reposição de energia, tão necessárias à nossa sobrevivência.
Ou seja... Da Morte, Deus tira a Vida. Não é isso que cremos? Que é morrendo que se vive para a vida eterna?
Pois bem... E é isso que veremos, no próximo capítulo: a partir do quarto dia, a Vida terá plenas condições de acontecer!
Até lá!!!
Olá, pessoas!!!
Bem-vindos e bem-vindas às reflexões elaboradas para o curso que, conforme dito na postagem anterior, deveria ter sido aplicado em Ijuí-RS, no último final de semana!
Como dissemos, as reflexões são baseadas nos 12 primeiros capítulos de Gênesis. Mas, antes de partirmos para o texto, convém afinarmos alguns conceitos.
São eles: BÍBLIA, JUVENTUDE e ECOLOGIA.
Há uma definição oficial, comum, que não permite nenhuma ligação entre estes 3 termos. E outra, que não só permite, como os considera inseparáveis. Vejamos:
BÍBLIA => É o Livro da Lei... Certo??? Bom... De certa forma, sim!!! Mas não nos esqueçamos das palavras de Paulo: “A letra mata; o espírito vivifica” (2Cor 3,6), baseadas nestas outras, de Cristo: “O espírito é que vivifica... As palavras que vos tenho dito são espírito e vida” (Jo 6,63). Não é por acaso que a Bíblia começa com a narrativa da Criação (Gn 1). Em seu primeiro relato, a Bíblia já deixa claro o seu objetivo, como explica Cristo, quando afirma a que veio: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida; e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Diante disso, mais que ser da Lei, podemos afirmar que A BÍBLIA É O LIVRO DA VIDA.
JUVENTUDE => É o futuro!!! Bem... Com certeza, é!!! Afinal, o(a) jovem tem muita vida ainda. Vai passar mais uns 20 ou 30 anos e os(as) jovens de hoje ainda terão a capacidade de tomar e executar as decisões que conduzirão o mundo. Mas eles(as) já têm essa capacidade hoje. Talvez falte experiência... Ou talvez falte espaço. O fato é que a Juventude é alvo da mídia, da moda e das prateleiras de supermercado. E isso por quê??? Porque os(as) jovens são a maioria da população. Ora, tudo o que conduz o nosso cotidiano é voltado para a juventude; falta aos adultos é vontade de admitir isso e dizer ao(à) jovem que ele(a) tem força sim de mudar o rumo da nossa história. Se a Juventude é capaz de determinar o que vende e o que não vende (vale lembrar que as leis regentes da sociedade atual são as do Mercado Internacional), então ela é que tem o Poder nas mãos. Só não descobriu isso ainda... Portanto, mesmo que por enquanto seja de uma forma potencial, A JUVENTUDE É O PRESENTE!!!
ECOLOGIA => É a ciência que estuda o cuidado com a nossa “casa” (eco = oykos = casa), que é o meio ambiente. Well... Aqui não se trata de discutir definições. Afinal, contra a etimologia (= origem das palavras) não há argumentos. O que devemos discutir aqui é a defesa da Ecologia como solução para os problemas do nosso meio ambiente. A ciência estuda, fala, orienta... Mas não é, em última instância, quem age. Precisamos aliar à Ecologia uma atitude, uma ECOFILIA. Filia = phylia = amor, amizade. Precisamos redescobrir o nosso papel na Natureza. Graças a uma interpretação antropológica de mundo, fruto do Humanismo ("O Homem é a medida de todas as coisas"), até a Bíblia é usada como justificativa para explorarmos a Terra, em vez de cuidar e dela tirar o sustento. Exemplo: O que nos vem à mente, ao ler: “enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28)? Esta frase, solta, descontextualizada, o que tem a nos dizer hoje? Sem entender o sentido original do texto -- e lendo-o à luz da cultura atual --, fica muito fácil usar a Bíblia para justificar o agronegócio, as monoculturas, o hidronegócio etc. Mas quem ama a Terra, o ecófilo, não explora a Terra; antes, com ela se integra, pois sabe muito bem que, diante do Universo, a humanidade e a Mãe Terra formam um único CORPO, um SER VIVO em órbita, transitando pelo espaço sideral, a bordo da Via Láctea.
Enfim... Sobre estes 3 termos era isso... A partir da próxima postagem, vamos entrar no primeiro capítulo de Gênesis e buscar a Vontade de Deus, presente na Bíblia, na Juventude e na Ecologia.
Até lá!!!
“Nóis fumo e num encontremo ninguém!!!”
(Demônios da Garoa, mais uma vez)
Bah... Que experiência eu tive neste findi...
Bom... Simplesmente mudou o meu conceito sobre o que é gostoso! Agora eu digo, pra quem quiser saber, que:
“Gostoso é viajar 7 horas pra fazer uma coisa e não poder fazê-la!!!”
Mas enfim... Não foi de todo ruim, pois havia mais de uma coisa a ser feita e, se não pude fazer o principal, pelo menos adiantei as outras!
Não tá entendendo nada, né!?! É que eu fui a Ijuí-RS, distante 600 km a noroeste de Porto Alegre, pra dar um curso sobre: “Bíblia, Juventude e Ecologia”.
Só que, chegando lá, depois de ser muito bem recebido pelos coordenadores do evento, deixei tudo preparado para receber os cursistas... Que não apareceram!!!
Não vou dizer que foi uma das melhores experiências da minha vida... Mas não saí chateado de lá! Creio que poder resolver outras questões, referentes à coordenação de Ijuí, amenizou um pouco a frustração!
“Tá... Mas coordenação de quê?” -- você deve estar se perguntando! Eu daria o curso pelo CEBI-RS (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos - Região de Rio Grande do Sul), a pedido da sub-região de Ijuí!
Pois bem... Hoje era pra eu estar lá, ainda... Mas não!!! Tô aqui em casa, esperando dar a hora para a festinha de aniversário do meu sobrinho Eduardo! Well... Taí outra coisa positiva de não ter tido o encontro, né!?! Poderei curtir um pouco mais a família!
Só que eu tava muito afim de falar sobre o tema! Eu me preparei com muito entusiasmo para esta conversa sobre Bíblia, Juventude e Ecologia, pois é um tema que me diz respeito! Então, caro leitor, paciência... Vai sobrar pra você, hehehehehehe...
Nas próximas postagens, vou colocar um pouco das reflexões que fiz, preparando o encontro em Ijuí – que, aliás, não ficou completamente perdido, pois remarcamos para 04 e 05 de julho! Se alguém aí estiver interessado em comparecer...
Como o estudo foi baseado nos 12 primeiros capítulos de Gênesis -- o que é muita coisa -- vou procurar fazer as reflexões por partes! Na próxima postagem, o primeiro capítulo! Até lá!!!
Dia oito de março, dia internacional da mulher.
Em todas as empresas se pensa em ações de comunicação interna para que este dia não passe em branco e para que a auto estima das funcionárias seja estimulada. Pois todos sabem que funcionárias satisfeitas produzem mais.
Quem não encontrou a mulherada com botões de rosas desfilando pela rua, no sábado, dia 08 de março?
Infelizmente nem todas as "ações-pensadas" são bem pensadas. Uma empresa local, cujo nome não vem ao caso, deu às suas colaboradoras um 'mimo' que pode se chamar no mínimo de reducionista e preconceituoso: "Um Kit Costura".
Sem crucificar a pessoa que fez esta escolha, vamos aproveitar este incidente para pensar sobre as escolhas que nós também fazemos quando se trata de pensar em como homens e mulheres devem ser presenteados/as.
Quem tem família grande, com vários filhos e sobrinhos, pense no que acontece no dia de Natal, por exemplo: os 'homenzinhos' ganham carrinho de corrida, pistas de carrinhos de corrida... e as 'mulherzinhas' ganham conjuntinhos de chá, mini cozinhas, bonecas que imitam bebê... tudo isso para que o menininho aprenda que ele vai crescer e deve se preocupar em correr rua, enquanto a mocinha vai aprender a cuidar da casa e da procriação.
Quantas mulheres ouvimos defender o maridão dizendo: "meu marido me ajuda", como se lavar uma louça de vez em quando fosse uma grande coisa.
Igualdade é os dois cumprirem juntos as tarefas da casa, assim como os dois juntos já buscam no trabalho o recurso financeiro para manter filhos e demais despesas.
Acredito que a igualdade deve ser conquistada no âmbito dos direitos e deveres, as responsabilidades e o valor de cada gênero.
Nós mulheres esquecemos de preservar a nossa essência feminina! Nisso eu concordo. Nos tornamos mais machistas que o pior dos machistas, quando queremos nos igualar aos homens, imitando sua masculinidade.
Ser mulher plenamente é viver em igualdade de oportunidades, e aproveitar estas oportunidades sem matar a nossa essência feminina.
E isso vai muito além de fazer alguns reparos de costura! A feminilidade está viva quando somos capazes de criar, de rir, chorar, cuidar!
A ternura da mulher precisa existir para dar equilíbrio às relações.
Todos ganham com a igualdade de oportunidades! O mundo corporativo com toque feminino fica mais humano.
Vamos valorizar nossas diferenças e crescer juntos ao colocá-las à disposição uns -- e umas -- dos outros -- e das outras --, sem submissão, mas com parceria e igualdade.
“Se oceis pensam que nóis fumo embora,
nóis enganemo oceis...
Nóis fingimo que fumos e vortemos;
ói nóis aqui traveiz!”
(Demônios da Garoa)
Bom, pessoal... Depois da virada do ano e do Carnaval, é agora que tudo recomeça neste país... Inclusive o blog dos peregrinos.
:-D
E recomeçamos com um texto, fruto de nossas reflexões de férias (At 2,12-21):
------------------------------------------------------------------
(A seguinte cena se dá logo depois do milagre de Pentecostes, onde os Apóstolos começam a falar em línguas)
“Sem saber o que pensar, (os que presenciaram a cena) perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas? Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.
Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia.
Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel (Jl 3,1-5):
Acontecerá nos últimos dias – é Deus quem fala –
que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo:
profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas.
Os vossos jovens terão visões e os vossos anciãos sonharão.
Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei,
naqueles dias, do meu Espírito e profetizarão.
Farei aparecer prodígios em cima, no céu,
e milagres embaixo, na terra:
sangue, fogo e vapor de fumaça.
O sol se converterá em trevas e a lua em sangue,
antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo.”
------------------------------------------------------------------
Este texto nos colocou diante da seguinte pergunta:
“O que o texto acima representa hoje para a sua vida e a da sua comunidade?”
Ao que respondemos, depois de refletirmos:
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Está faltando à Igreja de hoje confiar um pouco mais na ação do Espírito Santo.
Nossas lideranças se especializaram, ao que parece, em “decretar” onde o Espírito não está. Já, onde Ele está, ninguém sabe muito bem ao certo.
Aí, pra não ter erro, convencionou-se que Deus só pode ser encontrado, com a mais absoluta certeza, nos templos; e que é mais provável Ele falar a teólogos, bispos e padres do que aos leigos.
Como se fosse preciso diploma ou cargo para entender a linguagem do Espírito.
Quem não estudou, ou não ocupa determinada “cadeira”, se diz estar agindo por intermédio do Espírito, ou ganha o título de “Falso Profeta”, ou então só pode estar bêbado.
Certo é que existiram falsos profetas em todos os tempos, como já predizia Jesus... Mas onde está escrito que um dos requisitos para Falso Profeta é não ter diploma ou status?
Será que o Espírito sabia que os Apóstolos eram (quase todos) homens iletrados?
O que houve com o “sopra onde quer”? (Jo 3,8)
Talvez Jesus devesse ser mais claro quanto ao "QUEM QUER"...
É Natal!!! Um menino nos foi dado...
Linda simbologia!!! Um menino, uma criança, sinal de uma nova vida! Mas que vida nova é esta?
Se fixarmos a atenção nos Presépio, seja rico ou pobre, comum ou criativo, vivo ou cenográfico, sempre veremos algo novo! Mas entenderemos qual a novidade?
Desconfio consideravelmente que é necessário ver o todo, o que Cristo foi e é (um Menino que virou Homem e revelou-se Deus), o que Ele fez (o nascimento em um ambiente fedendo estrume de vaca, a infância e adolescência cercadas de mistérios, uma vida pública agitada e cheia de tumultos, perseguições, traições, lágrimas, suor, vinho, festas, discussões políticas...) e a conseqüência de seus atos (sua “vergonhosa” morte na Cruz, que lhe propiciou a Vitória sobre a Morte e a Glória da Ressurreição).
Entretanto, o que temos? De um lado, o Presépio, que torna o nascimento numa manjedoura (cocho para cavalos) uma honra, um luxo, a coisa mais terna que o Natal tem a nos oferecer... Do outro lado, temos a Via-Sacra, que mostra o quanto o Homem-Deus sofreu, deixando-nos com uma culpa tão pesada que quase morremos de tristeza ao ver tanto sangue derramado (por nós, como se faz tanta questão de enfatizar).
E entre uma coisa e outra, o que temos???
Que legal, né!?! Resta-nos a ilusão de que tudo é flor (mesmo cheirando a comida de cavalo), ou dor (com tanto sangue e culpa que chega-se a esquecer do que o próprio Cristo disse: “Pecado não é hereditário; os revéses inexplicáveis da vida não são ‘herança maldita’!”).
Entendo que algumas coisas são difíceis de retratar... Os valores, por exemplo, tais como “amar até os inimigos”. Ou então o verdadeiro motivo de Cristo ser dado a festas e ao vinho. Ou então os motivos políticos e sociais que estavam por trás das discussões com os Doutores da Lei.
Mas não há como negar uma coletiva má vontade que nos força a tratar o assunto sempre com superficialidade, não é!?!
E não será por isso que o Natal e a Páscoa se resumiram a festas e presentes? Não será por isso que as crianças exigem presentes em troca de bom comportamento, enquanto Cristo ensinou a gratuidade, em vez da retribuição?
Não será por isso que uma jovem morreu em Santa Cruz/RS, sentada na janela de um carro, manobrado “radicalmente” por seu namorado, em “comemoração” ao Natal?
Não será por isso que os inimigos dizem, hipocritamente: “Só por hoje vou te perdoar”?
Não será por isso que Papai Noel virou a figura central da festa de nascimento do Cristo?
Aliás... Papai Noel não começou mal! Ele era o Bispo Nicolau – este sim um Bom Velhinho – que ajudava os mais necessitados, principalmente no Natal. Mas, desde que a Coca-Cola “comprou o seu passe”, ele está a serviço do dinheiro. Assim, quanto mais rico, mais fácil viver o “Espírito do Natal”.
O Menino virou Homem e revelou-se Deus. Bendito seja o dia em que Ele veio ao mundo. E que todos saibamos realmente o que estamos comemorando.
Feliz Natal!!!
Se nem todos nos perguntamos isso – talvez porque já nascemos vivendo o “Espírito(?) do Natal” – é bom saber que há quem se pergunte! E é gente muito cristã e muito católica! Como esse Padre...
DIÁRIO ABERTO
(apenas alguns trechos)
2007 DEZEMBRO 03
[...] O natal do menino-jesus dos clérigos e da sua Igreja católica romana foi, nos últimos anos, totalmente comido pelo natal do menino-jesus e do pai-natal do grande Comércio e das suas feéricas catedrais de Consumo, todas elas muito mais atraentes e confortáveis do que as velhas e inestéticas catedrais dos bispos e as igrejas paroquiais mal iluminadas e gélidas nestes dias de outono-inverno, [...] com imagens de santas e de santos que remetem [...] para tempos e modelos de vida humana que não são mais os nossos, nem nunca voltarão a ser [...].
[...] Não pensem, então, que estou a escrever tudo isto com satisfação, num desapiedado bota-abaixo contra a Igreja. Não. É com dor e lágrimas que escrevo. Porque eu próprio sou Igreja nesta Igreja, ainda que já não alinhe, desde que, felizmente, cresci na Fé cristã jesuânica, em nada destas coisas eclesiásticas [...].
[...] O menino-jesus não existe mais, nem sequer como fotografia, e, quando historicamente existiu, nos seus anos de infância, ninguém o tratou como hoje o tratam, nem sequer a mãe e o pai biológicos, pois ele foi um menino pobre/remediado em tudo igual aos demais. As imagens que dele se têm feito [...] são uma injúria ao seu Nome de Homem adulto e à sua Memória politicamente subversiva e perigosa e conspirativa, pois têm o perverso efeito de nos [...] fazer sair do Tempo e introduzir-nos no Mito, uma arma mais e poderosíssima das minorias dos privilégios contra as suas inúmeras vítimas que, graças a ele, também saem do Tempo e da Luta política duélica que sempre haveriam/haverão de protagonizar para passarem dos Ninguém que são a Alguém que todas elas estão chamadas a ser [...].
[...] Constato, com tristeza ainda maior, que nem estes meus irmãos mais ilustrados rasgam o véu da Mentira institucionalizada à volta destes adventos e destes natais eclesiásticos, o que manifestamente retira profecia aos seus escritos e Boa notícia de Deus, a de Jesus, a qual, como já sublinhou o apóstolo Paulo, pela década de 50 do século I, é escândalo para todos os eclesiásticos/religiosos e loucura para todos os Executivos do Mundo, nomeadamente, os três mais vertebrais, o do Dinheiro, o do Poder político e o do Templo/Religões, todos eles muito bem disfarçados de personalidades, mas que, no fundo, não passam de profissionais da Mentira e assassinos, por omissão e acção, dos povos, já que é graças a eles, que esta perversa Ordem Económica Mundial do Dinheiro que fabrica pobres e pobreza em massa se perpetua, de geração em geração [...].
[...]Que fique, pois, aqui bem claro e duma vez por todas: O menino-jesus não existe (existiu Jesus menino, como todos os seres humanos quando nascemos), mas como menino-jesus, a nascer todos os anos, não existe nem nunca existiu. O natal que a Igreja e os donos das grandes catedrais do Consumismo nos querem obrigar a celebrar todos os anos [...] não é de Jesus, o de Nazaré, nem tem nada a ver com ele. O advento do calendário litúrgico eclesiástico [...] Não passa de um jogo litúrgico que serve apenas para entreter/ocupar clérigos formatados para desviarem as populações do Tempo e das lutas políticas duélicas que foram sempre as de Jesus, o de Nazaré, e têm de ser as das suas discípulas, dos seus discípulos, enquanto durar a História [...].
[...] É então mais do que tempo de acordarmos, como Igreja e como Humanidade. Evangelizar os pobres e os povos é preciso, imperioso e urgente. E do núcleo essencial da Boa Notícia de Deus que é Jesus, o de Nazaré, [...]faz parte a boa notícia de que o Mito, por muito poético que possa ser, só serve para nos tirar e aos povos do Tempo e das lutas políticas duélicas que urge travarmos com inteligência e audácia desarmadas. Igualmente faz parte essencial desse núcleo da Boa Notícia de Deus a anunciar/praticar hoje e sempre que o Ressuscitado Jesus da nossa Fé cristã eclesial é o Crucificado Jesus, sob Pôncio Pilatos e a pedido dos sumos sacerdotes Anás e Caifás, devido às Causas em que ele duelicamente se envolveu contra a Mentira e o Assassínio institucionalizados, no seu tempo e país, já então disfarçados de Ordem Mundial [...].
Fonte:
http://padremariodemacieira.com.sapo.pt/diario.htm
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O texto, em tom agressivo – nitidamente um desabafo – não deixa de ser profético.
Vale lembrar que é um texto de Portugal, onde a imagem do menino-jesus é tão comercialmente explorada quanto, aqui no Brasil, a do nosso “Bom(?) Velhinho”!
Alguns poderão dizer: “Mas... e as nossas crianças? Elas precisam de um mundo de fantasias e de sonhos! É no imaginário que se desenvolvem todas as suas potencialidades... Não podemos simplesmente vendá-las!”
É verdade... Não podemos impedi-las de sentir o fascínio do Papai-Noel! Mas podemos ensiná-las a lutar, desde pequenas, pela igualdade!
Não estamos ensinando nossos filhos, desde muito cedo, a discriminar os mais pobres e a se fechar no individualismo?
Exemplo: “Arturzinho... Você mereceu seu presente, pois foi um bom menino! A Manuelita, filha do nosso vizinho, não se comportou... Por isso não ganhou a bicicleta!”
E o Arturzinho conclui: “Tadinha da Manuelita... Mas o importante é que EU ganhei meu Play Station!”
E por que o ponto alto da celebração de Natal são os presentes? Onde fica a partilha? A convivência? A solidariedade?
Se, de pequeninos, eles aprendem a se preocupar com os coleguinhas, a ser solidários com os pobrezinhos, quando crescer certamente vão querer um mundo melhor para todos! E aí vão entender que o Menino nascido numa manjedoura, embora Rei, de tudo se despojou pelo bem dos que nada tinham, com o único objetivo de que fosse imitado, inclusive na Morte e Ressurreição!
Se pelo menos isso pudermos mudar, então, com todo direito, poderemos nos desejar... UM FELIZ NATAL!!!