Os Peregrinos

O caminho não é novo... O novo está em nós, no nosso jeito de caminhar!

Coração

O caráter e o destino de uma pessoa não é criado
somente com base no serviço que ela faz,

mas com base em um coração verdadeiro e honesto.
Aqueles que fazem algo apenas intelectualmente
ganham um nome.

Aqueles que fazem algo com seus corações ganham
bençãos.

Brahma Kumaris



Esta citação mostra muito do que foi o nosso final de semana.
Tivemos mais um retiro (curso querigmático, na verdade) do movimento do qual participamos -- o Cenáculo de Maria -- neste final de semana.
Se tivéssemos que explicar o que aconteceu, diríamos que colhemos os frutos plantados e cultivados neste ano de preparação.
Desde o começo de ano estávamos, enquanto movimento, trabalhando para aparar as arestas de relacionamento, para reforçar a formação, o conhecimento mútuo entre a equipe de trabalho e também desta equipe, sobre as coisas das quais fala e faz.

Jovens comprometidos e apaixonados pelo Reino de Deus, reunidos para levar a palavra de Deus aos outros, através da ternura e da firmeza de Maria... isso não se encontra tão facilmente assim.

É a confirmação de que os movimentos não precisam ser alienados, de que desenvolver um trabalho concreto, em comunhão com a Igreja, com nossas comunidades e todas as outras dimensões de nossa vida social é possível; e não é complicado.

Basta ter coragem!!! Do latim: "COR => coração" e "AGERE => agir". Ou seja: Basta agir com o coração! Logo... Basta amar!!!

Como dizia Agostinho: AMA e faz o que quiser.

Deus não é fardo: Ele torna o fardo leve e nos ajuda a caminhar... como fez neste final de semana, onde a equipe de trabalho se desdobrou, nunca trabalhou tanto... e nunca foi tão fácil, tão leve.

Estas são as bênçãos de Deus, que estão presentes em nossa vida e para a qual tantas vezes fechamos os olhos e o coração.
Coragem!
Effatha! Abre-te!

"Em terra de cego, quem tem um olho...

Merece apanhar, se não ficar quietinho!!!"

Como é forte, em nossos dias, a idéia dos três macaquinhos: o que não pode ouvir, o que não pode ver e o que não pode falar!

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Curioso é que, quando a figura surgiu, o intuito era denunciar um sistema opressor! Mas hoje esta charge se tornou o símbolo de uma cultura: a dos que não querem ouvir, nem falar, muito menos ver, pois isso compromete!

São os donos das frases: "Não gosto de ser cobrado", "cada um é cada um", "se não estava aqui pra fazer, agora não critique", "quem é vc para falar alguma coisa?", "não dá pra falar sobre isso agora, pois estou passando por um momento difícil"... Ou então os que nem falam...
Ficam quietinhos e fazem de conta que não viram nada!

Onde esperam chegar? Acreditam mesmo que, ficando quietinhos, a vida -- com seus desafios -- não irá encontrá-los e exigir uma resposta deles? Pior... Não somos nós mesmos também contaminados por esta cultura?

Todo dia ganhamos uma nova oportunidade de crescer, rever nossos conceitos, mudar o que não está bom... Seja pela crítica (construtiva ou destrutiva) de alguém, ou pelo resultado indesejado de uma atitude, ou pela decepção causada por alguém que estimamos (um amigo, um parente, o padre, um político...), ou pela recusa de uma idéia nossa, ou um simples sentimento de "vazio" ou "tristeza interior"...

Mas preferimos dar uma de Garfield e aquietar, esperar a vontade -- de mudar, no nosso caso; de trabalhar, no dele -- passar! E se alguém nos desafia, reagimos como "feras feridas" e espantamos toda ajuda, pois só enxergamos pessoas cruéis e chatas onde deveriam estar nossas oportunidades de mudança, de melhoria e até de salvação!

Mundo estranho o nosso... Onde lutamos para ser livres, quando oprimidos; e para ficar oprimidos, quando livres! Vai entender...

O que entra, ou o que sai?

"É o que sai de dentro (da pessoa) que (a) contamina!"

(Mt 15, 11)

Final de semana muito, muito frio em São Léo/RS... Ainda assim, fomos à Missa!

"Passagem (do Evangelho) conhecida" + "atenção seletiva" = "nova compreensão do texto".

Nem possessão demoníaca, nem inspiração do maligno, nem encosto, nem influência dos orixás, do horóscopo, do mapa astral, ou do cosmos, nem alinhamento dos planetas... O que contamina a pessoa -- o Mal -- vem "de dentro"!

Tudo bem... Somos influenciáveis! Podemos agir movidos por bons ou maus conselhos; e normalmente é isso que fazemos! Mas eles (os conselhos) só nos impulsionam porque encontram "eco" em nosso interior.

Ah... Mas então já nascemos maus, ou ao menos com tendências más?
Não!!! O Mal é fruto de como reagimos às adversidades! Se aprendemos a lidar com as emoções, os sentimentos, as frustrações, a realidade... então daremos continuidade ao processo gerador da Vida: o Amor!

Sendo a Morte a antítese da Vida, daí se conclui o que gera o Mal: a falta de Amor! Felizmente, ele (o Amor) é contagioso! Por isso, para erradicar o Mal, basta amar; e passar adiante! O Amor "pega" através de exemplos, através do que "sai da boca"!

E não fiquemos frustrados se nem todos copiarem nosso exemplo; como já dissemos, as pessoas se sentem influenciadas somente pelo que faz "eco" em seus corações!

"Meus problemas são uma tragédia (grega); os dos outros são frescura!"

"Pimenta nos olhos dos outros é refresco!"

"Mala é o filho do vizinho; o meu só tá com sono!"

Dia após dia, jargão após jargão, nossa cultura nos ensina o isolamento do individualismo. Mesmo assim, não consegue tolher nosso caráter, essencialmente social.

Porém, deixa profundas marcas em nossa personalidade. O desprezo pelas idéias dos outros e a super valorização das nossas, por exemplo.

O catecismo e a sabedoria popular nos ensinam a "resolver" este problema: Basta colocar-se no lugar do outro! É a dinâmica da tal Identidade (idem = o mesmo; ente = o "ser", sendo - ou seja: o "ser" em ação, em movimento).

Mas será que é o suficiente mesmo? Quanta gente há que não se ama! Para elas, levar a cabo o "ama o próximo como a ti mesmo" seria uma tragédia. Outras, porém, que se supervalorizam, poderiam tornar os problemas alheios uma verdadeira "tempestade em copo d'água".

É aí que entra a Autenticidade (auto = em si mesmo). Ou seja: o "ser", sendo em si mesmo. Dito de forma mais simples: o ato de saber quem somos; o tal "conhece-te a ti mesmo".

Aliás, eis o segredo da humildade (palavra que vem do mesmo radical de "humanidade"; = o ato de ser humano): ser quem eu sou (= autenticidade), reconhecendo minhas semelhanças e diferenças com o outro (= identidade).

Não mais... Não menos...