Os Peregrinos

O caminho não é novo... O novo está em nós, no nosso jeito de caminhar!

Entendendo o que é Educação Popular

Perdão pela ausência, pessoal! 2010 foi um ano muito corrido, principalmente no segundo semestre.

Foi, sem dúvida, um ano de muitos acontecimentos. Gostaria de lembrar, particularmente, os frutos do curso Bíblia e Teatro. Com ele, aprendi muito sobre assessoria e educação popular.

Cada etapa do curso consistia em um primeiro momento de reflexão bíblica, seguido de uma produção cênica. Esta produção era fruto da interpretação que as/os próprias/os participantes faziam dos textos bíblicos trabalhados.

No início, eu trabalhava as reflexões bíblicas como de costume: abria espaço para as/os jovens participarem, mas buscava fazer o fechamento com uma conclusão positiva, que inspirasse alguma atitude, algum engajamento popular.

Eu falava muito bem, mas logo na primeira experiência de tradução das reflexões em linguagem cênica, tive o maior choque de realidade que já me ocorreu até o presente momento.

Refleti longamente sobre o sentido social da comunhão. Disse-lhes que comungar não era ser um “papa-hóstia”, que comunhão era trabalho em grupo, era o ápice celebrativo de uma vida em comunidade.

Disse que, antes do rito litúrgico, deveríamos pensar na comunhão como alimento para o corpo de Cristo, que era a própria comunidade, segundo os textos que estávamos trabalhando (1Cor 11,17-34 e 1Cor 12,12-27). Logo, comungar era tornar-se uma ameaça para o sistema opressor, pois comungar era fortalecer a comunidade, o corpo de Cristo, que subvertia a lógica de sistemas como o capitalismo, onde o que vale é o lucro, e não a vida digna para todas/os. Enfim... Como dizem os gaúchos: “eu estava me puxando nas reflexões...”

Só que chegou o segundo momento, o momento teatral do curso. Foi pedido aos cursistas que ficassem em dupla e, ao ser dito qualquer palavra, que a interpretassem interagindo entre si. Foram ditas muitas palavras, até que o assessor (que neste momento não era eu) falou “comunhão”! As duplas foram unânimes em mostrar um padre colocando a hóstia na boca ou na mão de um/a fiel.

Foi um baque. Entrei em uma crise muito profunda. Não era nada daquilo que eu tinha dito. Foi então que percebi: estava tão preocupado com o que eu queria dizer que não parei um minuto para ouvi-las/os.

Antes disso, quantas vezes, em inúmeras assessorias de meio período, saí metralhando informações e voltei pra casa satisfeito porque todos gostaram de minhas palavras, quando na verdade estavam eufóricos com meu jeito comunicativo e com as músicas animadas que eu tocava ao fim dos encontros.

Depois do choque, comecei a escutar mais, a deixar que as/os participantes falassem mais, para depois ajudá-las/os a refletir criticamente sobre suas próprias opiniões. Mas nunca fechando definitivamente as discussões. Deixo sempre que voltem para casa refletindo sobre suas próprias vidas, sobre a relação entre o que leram e o que viveram até então.

Ainda não sei se estou alcançando meu objetivo, mas sinto que a cada dia entendo melhor o que é a educação popular. Nem sempre as conclusões são aquelas que eu queria, mas sempre são fruto da reflexão coletiva. E isso me anima a continuar...

Também sou "bixo"!!!

Passei em Letras, na ULBRA!
O curso é EAD, mas tem o peso de um faculdade presente em todo o país!
O vestibular consistia apenas em uma redação. E, segundo a diretora do campus, só reprovaria quem não soubesse escrever.
Havia dois temas, dos quais eu teria que escolher um: A fraude de Nelsinho Piquet, ou as Olimpíadas de 2016 (no Rio de Janeiro).
Escolhi a do Nelsinho, porque falava sobre valores. O texto de apoio dizia que o Nelsinho esquecera os valores aprendidos no seio de sua família. A redação deveria ser feita a partir de uma pergunta: "É válido negar os valores de berço para obedecer a ordem do chefe?"
Não fiquei com cópia do que escrevi, mas ainda lembro o esqueleto da redação. Ficou mais ou menos como segue, abaixo. Vejam se passei:
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"Que valor tem isso?"
Seja na história da humanidade, seja no dia-a-dia de uma nação, ou de uma pequena comunidade, seja na nossa própria vida particular, o fio condutor dos acontecimentos são os valores, ou a ausência deles.
Quem define os valores ou contravalores são a Ética e a Moral, sejam elas civis ou religiosas. Por isso, um valor depende da época, lugar e realidade a que se aplica. Nos dias de hoje, a porção ocidental vive o predomínio dos costumes cristãos, ainda que seja um cristianismo desviado de suas origens.
É inserido nessa realidade que encontramos Nelsinho Piquet, filho do ilustre campeão Nelson Piquet. Atendendo ao pedido do chefe, ele trapaceou numa corrida. Isso chocou o mundo da Fórmula 1. Mas para nós, brasileiros, o que deveria chocar foi a postura da família Piquet. Afinal, essa situação toda veio à tona por causa de uma investigação, e não pela possível denúncia do Sr. Nelson, que poderia ter usado seu respeitável nome e influência para enfrentar a escuderia de seu filho.
Mas o pior foi o que disse o Nelson Pai, durante o processo. Ele afirmou que tudo iria ficar bem, pois seu dinheiro bancaria os melhores advogados para cuidar do caso do seu filho. De fato, Nelsinho saiu impune. Mas não foi só o mundo da Fórmula 1 que perdeu. Sendo a família Piquet tão ilustre, que exemplo deixou para as famílias do nosso Brasil?

JUVENTUDES E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Costuma-se dizer que, se espremermos alguns jornais, em vez de tinta, escorrerá sangue. A violência não se tornou apenas banal e comum a todas as realidades; ela virou entretenimento, um espetáculo, poderoso anestésico que nos domina, gerando um clima de terror que nos fascina e imobiliza ao mesmo tempo.

A violência é institucionalizada. Ela serve aos interesses de uma minoria organizada e articulada, que mantém a maioria (população) dividida em subgrupos, desorganizados, desarticulados, guerreando uns contra os outros. E o pior... Essa minoria consegue fazer o povo acreditar que, em vez de vítima, é o principal culpado da situação. Mas que minoria é essa? De que forma isso atinge as juventudes? Há um só tipo de violência? Quais tipos nós conhecemos? Eles dependem de cor, sexo, condição social, ou idade?

Chega de violência; queremos Paz! Em Is 32,17 lê-se que a Paz é fruto da Justiça. Mas de qual justiça estamos falando? Vamos dar uma olhadinha no livro de Jonas. Enquanto vamos lendo, observemos: O que Deus quer de Jonas? O que Jonas deseja para os ninivitas? Quem inicia a mudança é o rei, ou o povo? Como Jonas se sente, no final? Qual a diferença entre a justiça de Jonas e a de Deus?

O livro de Jonas é escrito no pós-Exílio, durante a dominação persa e a reconstrução do Templo e de Jerusalém. Lendo os livros de Esdras e Neemias, vemos que: a Lei se tornou bem mais rigorosa e abrangente; criou-se aversão à/ao estrangeira/o; o Templo se tornou central na vida do povo e os sacerdotes os grandes líderes, já que o rei persa não admitia reis locais (como os reis-vassalos da Idade Média).

Jonas, então, representa a elite sacerdotal e Nínive os povos estrangeiros. O Templo só aparece uma vez no texto, na boca de Jonas, dentro da baleia. É o povo reagindo ao novo poder constituído, que aparenta restaurar a confiança em Javé, mas na verdade faz apenas um acordo político com o rei persa: “Deixe-nos mandar na religião e cultura desse povo, que em troca garantimos teu poder sobre a nação e os devidos impostos!

E nos dias de hoje... Como anda a nossa justiça? Ela recria a vida, como fez Javé com os ninivitas? Ela trata toda/o cidadã/o com misericórdia, respeito e dignidade? Ela educa para a cidadania, aplicando penas justas, recuperando as/os infratores e tranquilizando a população de que elas/es podem ser reintegradas/os à sociedade? O que podemos fazer para mudar este quadro, a partir da leitura de Jonas?

Para ajudar na reflexão, uma pergunta: Se a violência atinge todas as realidades, por que a maioria das/os detentas/os de nosso sistema carcerário são jovens, pobres e negras/os?

Diz o ditado: “Se queres a paz, prepara-te para a guerra!” O contraditado vem na letra de uma música: “Paz sem voz não é paz; é medo!” Os mais ingênuos acreditam que a paz é um mundo sem brigas, nem divergências, onde todas/os se abraçam e todo mundo é igual. Mas será que a violência nasce das diferenças? Já vimos que não!!!

Urge despertarmos, criarmos consciência do que realmente está matando nossas/os jovens. Mas não basta!!! Precisamos agir, tomando partido das/os injustiçadas/os. Mas como???

Precisamos criar uma Cultura de Paz!!!

JUVENTUDES: UNIDADE NA DIVERSIDADE

Desde os primórdios, a humanidade vive em grupos. Não dá pra negar: somos seres sociais. O que nos uniu, nas origens, foi o instinto de sobrevivência (éramos a caça), mas hoje, sobretudo no meio urbano, as relações se tornaram tão diversificadas e complexas que, além da sobrevivência, movem-nos outros interesses.

Para começar, tornamo-nos nossos próprios caçadores. É de Júlio César, imperador romano, a frase: “Dividir para conquistar!” Ele sabia que, unidas, as aldeias teriam mais chances de resistir. E hoje... Quem é o Júlio César da nossa juventude? Quais os mecanismos para mantê-la dividida? Há uma única tribo (= grupo) juvenil, ou várias, reunidas mediante diferentes interesses ou realidades? Isso é bom ou ruim?

Já que citamos César, que tal um passeio em Corinto? As cartas escritas por Paulo foram dirigidas às comunidades da terceira maior cidade do império romano, com mais de 400.000 habitantes. Situada entre dois portos, era passagem obrigatória do Ocidente para o Oriente e vice-versa. De solo irregular, a cidade vivia do turismo (festas, esportes e atrações culturais) e do transporte de cargas e de pessoas, de um porto para o outro. Os trabalhadores eram pobres: escravos ou libertos. Uma guarnição militar assegurava – e controlava – o transporte de mercadorias e pessoas. O grande fluxo de pessoas, de todos os cantos do império, também atraía comerciantes.

Bem parecida com as grandes cidades de hoje em dia, não!?! Mas não era só isso... Havia shoppings, digo, templos espalhados por todos os lados, dedicados a vários deuses, sendo Afrodite a deusa principal. A administração da cidade (e de todo o império) estava vinculada ao culto aos deuses. Cultuá-los era garantir a prosperidade, tanto pessoal quanto social. Seus cultos eram regados a banquetes e orgias. A prostituição era comum, e havia inclusive prostitutas/os sagradas/os.

É dentro desse contexto que Paulo escreve. Lá, como cá, havia divisões, o que enfraquecia a comunidade. Vejamos 1Cor 11,17-34. Também fala de um banquete (Ceia Eucarística). Mas Paulo não está falando de ritos, celebrações, missas... A Ceia possuía uma função social. Nos banquetes, algo era oferecido aos deuses em troca do que se queria (sucesso nos negócios, por exemplo). Por isso, só podiam participar aquelas/es que tivessem como pagar. Na Ceia Eucarística, é o próprio Deus, Jesus Cristo, que se oferece. Todas/os podem participar, em pé de igualdade. Escravos sentam-se com senhores, homens com mulheres, jovens com adultos. Tudo é partilhado, há uma comum-unidade, não só de alimentos, mas de todo um estilo de vida. Porém, se alguns são desprezados, que diferença há entre a Ceia e os banquetes?

A proposta da Ceia, no fundo, era a proposta de uma sociedade alternativa.

A economia, nesse novo jeito de se relacionar, era baseada na partilha e no serviço. Paulo, inclusive, evoca uma imagem, mostrando que a comunidade é um corpo (o corpo de Cristo) e cada um de nós somos membros desse corpo (1Cor 12,12-30). Portanto, não podemos estar divididos. O braço não pode se desfazer do pé porque aí o corpo todo padece. Em 1Cor 12,4, Paulo afirma: “Há diversidade de dons, mas um só é o Espírito!

A comunidade só sobrevive se permanece unida e cada um põe suas diferenças a serviço dos demais. E as tribos (= juventudes)? Será que têm algo a aprender com isso? De que forma podemos promover a unidade? É possível permanecer unidos na diversidade?

VOCAÇÃO: JUVENTUDE

Creio que, ao sermos perguntados sobre o que é vocação, qualquer um/a dirá que é uma palavra proveniente do latim “vocare” e significa “chamado”. Bom... Isso é o básico que aprendemos na catequese e/ou nas escolinhas dominicais, não é!?! Mas, se nos perguntarem: “chamadas/os a quê?”; aí vai embolar o meio-de-campo.

O mais provável é alguém dizer que somos chamados a ser engenheiros, médicas, psicólogas, arquitetos... Claro, empregos bons de preferência, porque em teste vocacional de faculdade nunca aparece balconista, servente de pedreiro, ou gari.

Mas vocação está mesmo atrelada a sucesso profissional? Viver a vocação é uma realização pessoal? Não é de um chamado que estamos falando? Quando alguém nos chama, é para que seja satisfeita a nossa necessidade, ou a de outrem?

Folheando a Bíblia, temos várias vocações. Vamos olhar uma mais de perto: a vocação de Moisés. Ela está em Ex 2,23-4,17, mas não precisamos ler tudo de início. Para começar, basta irmos até o cap. 3, v. 10. O Deus que aí encontramos vê a miséria de um povo, ouve o seu clamor, desce, age... Ele está presente, de forma atuante, junto desse povo. Mas de que forma Ele atua? Deus diz que vai libertar o povo, mas manda Moisés ir ao Faraó. Ora, quem vai libertar o povo? É Deus ou Moisés?

O modo de Deus atender o clamor do povo é acionando Moisés. A vocação, o chamado de Moisés é ir ao centro da opressão (Egito) e dizer ao opressor (Faraó) que deixe o povo partir. Tarefa fácil??? Sabemos que não... Mas o que convém destacar aqui é que...

A vocação de Moisés é a resposta de Deus ao clamor de um povo.

Ah... E Moisés se vê realizado profissionalmente com isso??? Conte quantas vezes ele nega a missão, lendo de onde paramos até o cap. 4, v. 17. Cinco vezes? Pois é... e pelos motivos mais covardes e mesquinhos possíveis.

Moisés sabia a situação do povo. Ele já havia fugido do Egito porque não suportava ver o povo naquela situação e sabia que, se ficasse ali, acabaria se envolvendo (Ex 2,11-15). Javé não fala de uma situação que Moisés não conhece. Moisés só queria fazer de conta que não existia... Mas, em vez de se consumir, a sarça ardia cada vez mais em seu peito.

Olhando para hoje, a realidade juvenil... Quais são os clamores das/os jovens? Quem são o Egito e o Faraó da juventude? E o nosso Moisés? Será ele um justiceiro solitário?

Olhando Ex 3,16; 4,13, veremos Javé orientando Moisés a procurar Aarão e os anciãos. Javé ordenou que Moisés procurasse ajuda, não fosse sozinho. Moisés formou um grupo, formou comunidade.

Ser Juventude, no fim das contas, é isso: Viver em comunidades (as “tribos”), de forma consciente, responsável, articulada, organizada (Moisés fará isso, Aarão aquilo...). E tudo isso para atender ao clamor de um povo. Aliás, povo do qual, a princípio, essa mesma juventude faz parte.

Entreter ou controlar?

Ando sem criatividade pra blogar... Então vou contar uma história:

"Um dia resolvi desenhar uma cidade. Mais... Tentei personificá-la. Pensei nela como um todo. Dei-lhe um corpo. Imaginei seus contornos, sua voz, seu estilo, suas habilidades e competências. Para não faltar com a realidade, olhei mais de perto. Vi seus movimentos, suas cores e seu ritmo acelerado. Quis, por fim, desenhar-lhe um rosto. Que dificuldade... Precisei olhar mais de perto. E então vi uma senhora com o rosto pintado de jovem. E pensei... É este o rosto da cidade onde eu moro."

Nossas cidades são jovens? O shopping, o cinema, as escolas, as rádios, as novelas, as praças, os bares, os esportes midiáticos, a Internet, os automóveis cada vez mais parecidos com naves espaciais, os muros grafitados e os prédios coloridos parecem dizer "sim"! Mas todo esse mecanismo é usado para entreter, informar e promover a juventude, ou para mantê-la sob controle? Por quê???

Intolerância religiosa

Olhem as seguintes imagens...




O que elas dizem pra vocês???

Ecumenismo católico?

Pois bem... Ando pra lá de atarefado e não tenho tido tempo de elaborar textos de mais de 10 linhas.

Então vou começar a fazer uma série de "rapidinhas" e gostaria que os/as amigos/as prestigiassem, contribuindo com seus comentários.

Então lá vai a primeira da série... Mas primeiro:

Acessem meu blog sobre futebol!!! É o blog de um corinthiano apaixonado, mas nem sempre falo do Corinthians! Às vezes falo de comportamento, ética, política, religião... tudo -- claro -- relacionado ao esporte das chuteiras!

http://corintiano-gracasadeus.blogspot.com/

O nome é inspirado num livro do grande Dom Paulo Evaristo Arns, que torcedores de todos os times deveriam ler, independente de falar do Timão! O nome do livro é: "Corintiano, Graças a Deus".

Bom... Já fiz o meu merchan... Agora a rapidinha de hoje:

Um amigo padre me disse que o bispo o convocou para um curso sobre ecumenismo, promovido pela Diocese. Diz o Bispo: "Tu, que anda envolvido com essas coisas, deve ir ao curso para aprender o jeito católico de fazer ecumenismo!"

E aí eu pergunto... Existe um jeito restrito a alguma religião de fazer ecumenismo?

Feliz Páscoa ou aperto de mão???

Por que “Feliz Páscoa”?

“Então é Natal... e o que você fez???”

Ops... música errada!!! Mas a pergunta até que faz sentido...

Eu fico me perguntando: o que realmente desejamos quando dizemos “Feliz Natal”, “Boas Festas”, “Feliz Páscoa”?

Os que me dizem isso não se zanguem; não estou desprezando seus votos! Pode ser dúvida minha, pode ser que os outros saibam o que estão desejando, pode ser que o carente de sentido seja eu.

Mas sabemos mesmo o que significa a Páscoa? E é nisso que pensamos quando nos saudamos?

Então vejamos... Comecemos pelo significado da palavra “Páscoa”. É uma tradução difícil! Para uma maioria, significa “passagem”. Mas este é o significado que a palavra “pessach” adquiriu quando traduzida para o grego e o latim. Outros defendem que o significado seja “cordeiro”, “alimento”, ou “salto”, “pulo”.

Sendo a Páscoa celebrada com uma grande ceia, onde o cordeiro é o prato principal (no caso dos cristãos, o pão é/simboliza o “Cordeiro de Deus”), faz sentido.

Mas, se lembrarmos do Êxodo, da décima praga, onde Javé “pula” as casas hebreias (marcadas pelo sangue do cordeiro nas portas), vemos que também isso é possível.

Talvez não cheguemos a um consenso sobre a tradução, mas sabemos com toda certeza a que eventos concretos esta palavra está ligada. Para judeus, a libertação do Egito; para os cristãos, a ressurreição, que também é uma libertação.

Vencendo a Morte, Jesus nos chama a retomar o Projeto de Vida do Pai!

Logo, desejar uma Feliz Páscoa não é somente ficar na torcida para que as coisas melhorem. Nem esperar que o coelhinho esteja mais gordinho este ano e deixe uma quantidade maior de ovos de chocolate.

Tá... Chocolate é uma delícia!!! Não faz mal comer chocolate, seja na Páscoa, seja em qualquer época do ano! Bom... Comer demais qualquer coisa faz mal, mas... Ah, vocês entenderam, não é mesmo!?!

Desejar uma Feliz Páscoa é, primeiro, assumir o compromisso de que a crucificação de Jesus não tenha sido em vão, que Ele não tenha simplesmente “morrido em meu lugar”, o que me deixaria muito tranquilo, pois nada mais precisaria ser feito.

E é também um convite para que a/o irmã/o junte-se a nós nesta caminhada, rumo ao Reino, um Reino concreto, feito a partir da terra, da realidade humana, aqui e agora.

Um Reino onde todas as diferenças se tornem enriquecimento social, em vez de motivo de guerra. Onde os projetos governistas estejam voltados para todos, em vez de uns poucos. Onde a fome e a miséria sejam combatidas por todos/as. Onde os problemas do/a vizinho/a tenham mais importância do que a variação da bolsa de Nova York, etc.

Portanto, celebrar a Páscoa, desejar uma Feliz Páscoa, só tem sentido na minha comunidade de fé e de vida, entre aqueles/as que não só comunguem os ideais cristãos, mas estejam realmente comprometidos/as com a construção de um mundo melhor!

Fora disso, é mera formalidade, é verniz social, palavras polidas que ajudem a fechar uma venda, a não passar por deselegante, ou simplesmente para finalizar uma conversa.

Mas enfim... e então??? Posso te desejar uma Feliz Páscoa, ou podemos ficar simplesmente no aperto de mãos???

OUTRO EVENTO, OUTRA CIDADE, A MESMA CAUSA!

Bom... Depois de um loooooooooongo período de férias, é hora de movimentar este blog! E, pra começar, partilho uma experiência recente (de 05 a 24-Jan-09).

Quase na mesma data em que aconteceu o 9º ENPJ, estive em Vitória-ES, para o Curso de Capacitação Nacional para Assessores/as do CEBI.

Foram 20 dias onde o CEBI proporcionou uma grande partilha de experiências sobre assessorias, além de técnicas de exegese e hermenêutica bíblica. Enquanto o curso lançava os pilares da Leitura Popular, uma leitura de construção coletiva, onde todos partilham o que sabem – e, segundo Paulo Freire, todo indivíduo sabe alguma coisa –, eu transmitia a todo o Brasil a necessidade de uma hermenêutica das Juventudes.

De início, como de costume, vieram algumas resistências. Logo quando eu disse que queria ver, no CEBI, uma hermenêutica das Juventudes, alguém me puxou de canto e disse: “Isso não é coisa do CEBI, menino!” Menos mal que não era um dos coordenadores do curso; era uma participante. Mas o curso foi feito por lideranças dos CEBI’s estaduais. E isso sim muito me preocupou.

Também ouvi alguém dizer que, em sua região, “Fulana” era jovem, MAS era respeitada POR SER catequista. Quando chegou a vez de contar a minha experiência em assessoria bíblica, disse a todos que quero ver chegar o dia em que “Fulana” será respeitada TAMBÉM por ser jovem.

Durante o curso, obviamente me aproximei mais dos jovens. Ao meu lado estava um Pastor Batista de 26 anos. Alguém veio nos dizer que sua primeira impressão sobre nós é que não estávamos lá para levar a sério o curso. Éramos os dois mais animados da turma. Felizmente a convivência desfez esta desconfiança, mas me aborreceu saber que o preconceito foi gerado pelo nosso jeito jovem de ser.

Ouvi, ainda, piadinhas do tipo: “Ah, este é aquele postulante a jovem!” De fato, tenho 32 anos. Algumas pessoas acharam estranho eu querer que o CEBI criasse uma “Dimensão Juventude”. Mas qual o problema em apoiar os jovens? Isso é bem diferente de não querer reconhecer que a fase adulta já chegou.

Felizmente, se por um lado a diferença de idade em relação aos demais participantes causou uma tensão (a esmagadora maioria dos participantes tinha mais de 40 anos de idade), por outro lado o conteúdo do curso me trouxe o que faltava para iniciar, com os jovens de minha região, uma Leitura Popular e Jovem da Bíblia. Com que olhos devo ir aos textos (eisegese)? Como tirar dos textos o que eles dizem, e não o que eu quero escutar (exegese)? Como usar os textos para iluminar uma proposta jovem de seguir a Cristo (hermenêutica)?

Além disso, se fico triste porque alguns CEBI’s estaduais não me deram abertura, pelo menos o CEBI Nacional ficou sensibilizado com a minha luta. Tenho certeza de que não encontraremos objeção a que bons materiais elaborados pela Juventude possam ser divulgados pelo programa de publicações do CEBI.

Se hoje não temos publicações para jovens, a justificativa que me deram é que essa necessidade deve surgir das bases, e que das bases quase nada apareceu em nível nacional. Ou seja... Minha voz é quase única hoje, dentro do CEBI, quando o assunto é Juventude.

Se você, jovem que está lendo esta carta, participa do CEBI em alguma instância, comece a exercitar hermenêuticas jovens em suas assessorias, ou nas assessorias em que você participa. Veja de que forma os textos podem nos ajudar a realizar o protagonismo juvenil. Provoque esse tipo de discussão entre os jovens, mas também com os adultos.

Enfim... Assim que esta experiência demonstrar resultados em minha região, terei o maior prazer em levá-la a outros cantos do país (onde for convidado, é claro!!!), para que o processo possa ser multiplicado e a Juventude possa, enfim, ter na Bíblia uma aliada, em vez de uma repressora.

Sem mais, um grande abraço jovem de um jovem não muito jovem, mas apaixonado pelos jovens!!!