Os Peregrinos

O caminho não é novo... O novo está em nós, no nosso jeito de caminhar!

JUVENTUDES: UNIDADE NA DIVERSIDADE

Desde os primórdios, a humanidade vive em grupos. Não dá pra negar: somos seres sociais. O que nos uniu, nas origens, foi o instinto de sobrevivência (éramos a caça), mas hoje, sobretudo no meio urbano, as relações se tornaram tão diversificadas e complexas que, além da sobrevivência, movem-nos outros interesses.

Para começar, tornamo-nos nossos próprios caçadores. É de Júlio César, imperador romano, a frase: “Dividir para conquistar!” Ele sabia que, unidas, as aldeias teriam mais chances de resistir. E hoje... Quem é o Júlio César da nossa juventude? Quais os mecanismos para mantê-la dividida? Há uma única tribo (= grupo) juvenil, ou várias, reunidas mediante diferentes interesses ou realidades? Isso é bom ou ruim?

Já que citamos César, que tal um passeio em Corinto? As cartas escritas por Paulo foram dirigidas às comunidades da terceira maior cidade do império romano, com mais de 400.000 habitantes. Situada entre dois portos, era passagem obrigatória do Ocidente para o Oriente e vice-versa. De solo irregular, a cidade vivia do turismo (festas, esportes e atrações culturais) e do transporte de cargas e de pessoas, de um porto para o outro. Os trabalhadores eram pobres: escravos ou libertos. Uma guarnição militar assegurava – e controlava – o transporte de mercadorias e pessoas. O grande fluxo de pessoas, de todos os cantos do império, também atraía comerciantes.

Bem parecida com as grandes cidades de hoje em dia, não!?! Mas não era só isso... Havia shoppings, digo, templos espalhados por todos os lados, dedicados a vários deuses, sendo Afrodite a deusa principal. A administração da cidade (e de todo o império) estava vinculada ao culto aos deuses. Cultuá-los era garantir a prosperidade, tanto pessoal quanto social. Seus cultos eram regados a banquetes e orgias. A prostituição era comum, e havia inclusive prostitutas/os sagradas/os.

É dentro desse contexto que Paulo escreve. Lá, como cá, havia divisões, o que enfraquecia a comunidade. Vejamos 1Cor 11,17-34. Também fala de um banquete (Ceia Eucarística). Mas Paulo não está falando de ritos, celebrações, missas... A Ceia possuía uma função social. Nos banquetes, algo era oferecido aos deuses em troca do que se queria (sucesso nos negócios, por exemplo). Por isso, só podiam participar aquelas/es que tivessem como pagar. Na Ceia Eucarística, é o próprio Deus, Jesus Cristo, que se oferece. Todas/os podem participar, em pé de igualdade. Escravos sentam-se com senhores, homens com mulheres, jovens com adultos. Tudo é partilhado, há uma comum-unidade, não só de alimentos, mas de todo um estilo de vida. Porém, se alguns são desprezados, que diferença há entre a Ceia e os banquetes?

A proposta da Ceia, no fundo, era a proposta de uma sociedade alternativa.

A economia, nesse novo jeito de se relacionar, era baseada na partilha e no serviço. Paulo, inclusive, evoca uma imagem, mostrando que a comunidade é um corpo (o corpo de Cristo) e cada um de nós somos membros desse corpo (1Cor 12,12-30). Portanto, não podemos estar divididos. O braço não pode se desfazer do pé porque aí o corpo todo padece. Em 1Cor 12,4, Paulo afirma: “Há diversidade de dons, mas um só é o Espírito!

A comunidade só sobrevive se permanece unida e cada um põe suas diferenças a serviço dos demais. E as tribos (= juventudes)? Será que têm algo a aprender com isso? De que forma podemos promover a unidade? É possível permanecer unidos na diversidade?

2 caminhantes:

Legal esse texto! Mas vale a pena sempre garantirmos o direito à diversidade. Não podemos aceitar os dois extremos: Uniformidade para garantir a unidade; nem tampouco a desagregação e rivalidade para garantir a diversidade. Acredito na palavra "COMUNHÃO", pois ela garante tanto o respeito à diversidade quanto a irrenunciável busca de unidade, sem contudo cair na uniformidade ou na desagregação. As diversas "tribos"juvenis podem ganhar muito se agirem assim!

quinta-feira, 10 setembro, 2009  
Possato Jr. disse...

Perfeito comentário, Pe. Alex!

Só não entendi o "mas"...

Onde o meu texto deu a entender o contrário do que tu disseste?

Paz e Bem!!!

quinta-feira, 10 setembro, 2009