Os Peregrinos

O caminho não é novo... O novo está em nós, no nosso jeito de caminhar!

E NO TERCEIRO DIA...

No encontro anterior vimos que:

=> A Juventude é o Presente.
=> A Bíblia está intimamente ligada à Vida.
=> E a Terra é um Ser Vivo, em Comunhão com seus habitantes (nós entre eles) e o Universo.

Vimos também que estas definições não são as mais tradicionais, mas as que melhor expressam uma Ecologia pensada por cristãos ecófilos.

A bem da verdade, dentro de um cristianismo autêntico, o termo “ecófilo” soa redundante. Isto porque Deus ama toda a Criação: a Natureza, inclusive.

É o que nos relata a poética narrativa do primeiro capítulo da Bíblia. Aliás, a Fé num Deus Criador está muito bem representada no livro com o sugestivo nome de Gênesis.

Que a Criação implica Vida, não há dúvida! E que, pela Ressurreição de Cristo, a Vida venceu definitivamente a Morte, também não! Mas o que uma coisa tem a ver com a outra?

Bom... Cristo venceu a Morte em três dias... não é!?! E isso nos relatam os Evangelhos... Certo!?! Sim... Mas não só eles!!! A Bíblia já começa com Deus vencendo a Morte em três dias! Como??? Vejamos:

No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas.” (Gn 1,1-2)

Antes dos dias, Deus cria o céu e a terra, mas a situação é de caos. São 3 os símbolos da Morte:

=> Terra vazia => Em algumas traduções, diz-se que a terra estava vazia e sem forma (estou utilizando a tradução da Bíblia Jerusalém). Estando vaga, vazia ou sem forma, de qualquer jeito ela está deserta, ou seja: sem vida.
=> Trevas => O mais tradicional símbolo da Morte.
=> Águas agitadas => Embora seja um tradicional símbolo da Vida, a água (ainda que habitada pelo Espírito, ou sopro de Deus) aqui vai ser sinal de Morte.

Ainda falando sobre as águas... A redação do texto -- e isso veremos adiante -- data do fim, ou do recente pós-Exílio na Babilônia. Todos nos lembramos do Sl 137(136),1:

À beira dos canais de Babilônia nos sentamos, e choramos com saudades de Sião.

O povo chorava à beira do rio, vendo aquela fartura de água, mas lembrando da liberdade que gozava em Sião.

Seguindo a narrativa:

Deus disse: ‘Haja luz’, e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.” (Gn 1,3-5)

No primeiro dia, Deus vence as trevas, o mais tradicional símbolo da Morte.

Deus disse: ‘Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas’, e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento ‘céu’. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia.” (Gn 1,6-8)

Aqui vemos que a água envolvia toda a terra, imagem que será retomada na cena do Dilúvio, também uma cena onde as águas significam Morte.

Na imaginação de então, o céu era uma imensa redoma contenedora de águas. Claro... Olhavam para o céu e ele era azul como o mar. Além disso, de vez em quando chovia água do céu.
Era uma visão de mundo própria da época. Mas o importante aqui é ver que, ao criar o firmamento, Deus impõe limites à força opressora das águas. O Deus Criador é também um Deus Libertador, que vence a Morte e o regime opressor.

Deus disse: ‘Que as águas que estão sob o céu se reúnam num só lugar e que apareça o continente’, e assim se fez... Deus disse: ‘Que a terra verdeje de verdura: ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente’, e assim se fez... e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia.” (Gn 1,9-13)

Que a terra verdeje... Deus faz aparecer os continentes (dá forma à terra) e eles verdejam de verdura. Ou seja: o deserto é vencido pela força criadora de Deus, que transforma o terreno hostil em fonte de vida.

Aliás, falando em transformação... Deus transforma os sinais da Morte em sinais de Vida. Mesmo as trevas, sendo limitadas pela luz, tornam-se fonte de descanso e reposição de energia, tão necessárias à nossa sobrevivência.

Ou seja... Da Morte, Deus tira a Vida. Não é isso que cremos? Que é morrendo que se vive para a vida eterna?

Pois bem... E é isso que veremos, no próximo capítulo: a partir do quarto dia, a Vida terá plenas condições de acontecer!

Até lá!!!

Bíblia, Juventude e Ecologia: Afinando conceitos...

Olá, pessoas!!!

Bem-vindos e bem-vindas às reflexões elaboradas para o curso que, conforme dito na postagem anterior, deveria ter sido aplicado em Ijuí-RS, no último final de semana!

Como dissemos, as reflexões são baseadas nos 12 primeiros capítulos de Gênesis. Mas, antes de partirmos para o texto, convém afinarmos alguns conceitos.

São eles: BÍBLIA, JUVENTUDE e ECOLOGIA.

Há uma definição oficial, comum, que não permite nenhuma ligação entre estes 3 termos. E outra, que não só permite, como os considera inseparáveis. Vejamos:

BÍBLIA => É o Livro da Lei... Certo??? Bom... De certa forma, sim!!! Mas não nos esqueçamos das palavras de Paulo: “A letra mata; o espírito vivifica” (2Cor 3,6), baseadas nestas outras, de Cristo: “O espírito é que vivifica... As palavras que vos tenho dito são espírito e vida” (Jo 6,63). Não é por acaso que a Bíblia começa com a narrativa da Criação (Gn 1). Em seu primeiro relato, a Bíblia já deixa claro o seu objetivo, como explica Cristo, quando afirma a que veio: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida; e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Diante disso, mais que ser da Lei, podemos afirmar que A BÍBLIA É O LIVRO DA VIDA.

JUVENTUDE => É o futuro!!! Bem... Com certeza, é!!! Afinal, o(a) jovem tem muita vida ainda. Vai passar mais uns 20 ou 30 anos e os(as) jovens de hoje ainda terão a capacidade de tomar e executar as decisões que conduzirão o mundo. Mas eles(as) já têm essa capacidade hoje. Talvez falte experiência... Ou talvez falte espaço. O fato é que a Juventude é alvo da mídia, da moda e das prateleiras de supermercado. E isso por quê??? Porque os(as) jovens são a maioria da população. Ora, tudo o que conduz o nosso cotidiano é voltado para a juventude; falta aos adultos é vontade de admitir isso e dizer ao(à) jovem que ele(a) tem força sim de mudar o rumo da nossa história. Se a Juventude é capaz de determinar o que vende e o que não vende (vale lembrar que as leis regentes da sociedade atual são as do Mercado Internacional), então ela é que tem o Poder nas mãos. Só não descobriu isso ainda... Portanto, mesmo que por enquanto seja de uma forma potencial, A JUVENTUDE É O PRESENTE!!!

ECOLOGIA => É a ciência que estuda o cuidado com a nossa “casa” (eco = oykos = casa), que é o meio ambiente. Well... Aqui não se trata de discutir definições. Afinal, contra a etimologia (= origem das palavras) não há argumentos. O que devemos discutir aqui é a defesa da Ecologia como solução para os problemas do nosso meio ambiente. A ciência estuda, fala, orienta... Mas não é, em última instância, quem age. Precisamos aliar à Ecologia uma atitude, uma ECOFILIA. Filia = phylia = amor, amizade. Precisamos redescobrir o nosso papel na Natureza. Graças a uma interpretação antropológica de mundo, fruto do Humanismo ("O Homem é a medida de todas as coisas"), até a Bíblia é usada como justificativa para explorarmos a Terra, em vez de cuidar e dela tirar o sustento. Exemplo: O que nos vem à mente, ao ler: “enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28)? Esta frase, solta, descontextualizada, o que tem a nos dizer hoje? Sem entender o sentido original do texto -- e lendo-o à luz da cultura atual --, fica muito fácil usar a Bíblia para justificar o agronegócio, as monoculturas, o hidronegócio etc. Mas quem ama a Terra, o ecófilo, não explora a Terra; antes, com ela se integra, pois sabe muito bem que, diante do Universo, a humanidade e a Mãe Terra formam um único CORPO, um SER VIVO em órbita, transitando pelo espaço sideral, a bordo da Via Láctea.

Enfim... Sobre estes 3 termos era isso... A partir da próxima postagem, vamos entrar no primeiro capítulo de Gênesis e buscar a Vontade de Deus, presente na Bíblia, na Juventude e na Ecologia.

Até lá!!!

Na casa do Arnesto...

“Nóis fumo e num encontremo ninguém!!!”
(Demônios da Garoa, mais uma vez)

Bah... Que experiência eu tive neste findi...

Bom... Simplesmente mudou o meu conceito sobre o que é gostoso! Agora eu digo, pra quem quiser saber, que:

“Gostoso é viajar 7 horas pra fazer uma coisa e não poder fazê-la!!!”

Mas enfim... Não foi de todo ruim, pois havia mais de uma coisa a ser feita e, se não pude fazer o principal, pelo menos adiantei as outras!

Não tá entendendo nada, né!?! É que eu fui a Ijuí-RS, distante 600 km a noroeste de Porto Alegre, pra dar um curso sobre: “Bíblia, Juventude e Ecologia”.

Só que, chegando lá, depois de ser muito bem recebido pelos coordenadores do evento, deixei tudo preparado para receber os cursistas... Que não apareceram!!!

Não vou dizer que foi uma das melhores experiências da minha vida... Mas não saí chateado de lá! Creio que poder resolver outras questões, referentes à coordenação de Ijuí, amenizou um pouco a frustração!

“Tá... Mas coordenação de quê?” -- você deve estar se perguntando! Eu daria o curso pelo CEBI-RS (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos - Região de Rio Grande do Sul), a pedido da sub-região de Ijuí!

Pois bem... Hoje era pra eu estar lá, ainda... Mas não!!! Tô aqui em casa, esperando dar a hora para a festinha de aniversário do meu sobrinho Eduardo! Well... Taí outra coisa positiva de não ter tido o encontro, né!?! Poderei curtir um pouco mais a família!

Só que eu tava muito afim de falar sobre o tema! Eu me preparei com muito entusiasmo para esta conversa sobre Bíblia, Juventude e Ecologia, pois é um tema que me diz respeito! Então, caro leitor, paciência... Vai sobrar pra você, hehehehehehe...

Nas próximas postagens, vou colocar um pouco das reflexões que fiz, preparando o encontro em Ijuí – que, aliás, não ficou completamente perdido, pois remarcamos para 04 e 05 de julho! Se alguém aí estiver interessado em comparecer...

Como o estudo foi baseado nos 12 primeiros capítulos de Gênesis -- o que é muita coisa -- vou procurar fazer as reflexões por partes! Na próxima postagem, o primeiro capítulo! Até lá!!!