Os Peregrinos

O caminho não é novo... O novo está em nós, no nosso jeito de caminhar!

ECOLOGIA SIM; IDOLATRIA NÃO!!!

Até aqui já dissemos o que entendemos por: Bíblia, Juventude e Ecologia.

Além disso, vimos que Deus vence a Morte no terceiro dia; e isso logo nos primeiros versículos da Bíblia.

É Deus que transforma o caos em ordem, torna o deserto verde, submete as trevas à luz e impõe limites às águas agitadas.

Vencida a Morte, estava preparado o terreno para que a Vida florescesse! Mas aí...

Deus disse: ‘Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra’, e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro como poder do dia e o pequeno luzeiro como poder da noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, para comandar o dia e a noite, para separar a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.” (Gn 1,14-19)

Estamos tão acostumados ao texto que nada percebemos de estranho neste trecho... não é!?! Mas há algo estranho sim... Luz e trevas já não estavam separados por Deus?

Percebam com que insistência o narrador explica a função dos luzeiros. Bastava apenas dizer que o maior rege o dia e o menor rege a noite. Mas ele repete, repete, repete... E não diz o nome dos luzeiros. Não é estranho???

Talvez sim... Mas se nos lembrarmos que o texto foi escrito numa situação de cativeiro (Exílio na Babilônia), as coisas começam a ficar mais claras.

Entre o povo, o sentimento de derrota só não superava o de vergonha. Javé, que até então havia ajudado os judeus a vencer os outros povos, não fez nada contra os babilônios, que dominaram Judá facilmente. A conclusão só podia ser uma: o deus babilônio era mais forte que Javé.

A Babilônia não tinha apenas um deus. O mais poderoso entre eles era Marduc: nome dado pelos babilônios ao Sol. Ishtar (cujo radical, na verdade, dá origem à palavra "estrela") era o nome dado à Lua. Portanto, pronunciar os nomes dos luzeiros era dar força aos deuses babilônios.

Na mitologia babilônica, Marduc vence o caos, igualmente numa cena onde a água é abundante e é sinal de Morte. É que a Babilônia era cercada por dois dos 4 grandes rios conhecidos da época: Tigre e Eufrates, cujas cheias irregulares eram sinal de preocupação constante.

É importante também dizer que os babilônios inventaram o horóscopo. A Natureza era uma confraria de deuses, conspirando contra ou a favor da sorte do povo. Tudo dependeria dos ânimos dos astros.

Tudo dependeria também do filho de Marduc. E esse era ninguém menos do que o Rei da Babilônia: o legítimo portador da vontade de deus.

O autor do primeiro relato de Gênesis, portanto, quer fortalecer a fé e a esperança do povo, mostrando que os astros não são deuses, mas criaturas do Único Deus: Javé.

Não cabe ao relato de Gênesis explicar por que Javé permitiu o Exílio. Isso farão os círculos proféticos, tentando provar que a culpa era proveniente dos pecados do povo.

O que lhe cabe é fazer uma nova Teologia da Criação, reforçando a condição de criatura, conferida a Marduc. Para reforçar isso, o texto mostra que a luz é criada bem antes do astro-rei (4 dias). E se o Sol traz a luz, é porque esta é a missão que Javé lhe confiou. O mesmo acontecendo com a Lua (Ishtar), em relação à noite.

O resultado dessa nova Teologia é que somos novamente livres. Nosso destino não está mais nas mãos de reis, ou astros, ou de qualquer outra ideologia dominante.

Hoje muitos ecólogos querem estabelecer uma relação de verdadeira adoração à Natureza. Novamente se dá força à astrologia, ao poder místico das pedras, à função terapêutica das plantas... Quando o bem-estar que sentem, na verdade, é fruto de uma pequena sintonia com parte do meio ambiente. Nada mais!!!

Sintonia esta que perdemos há muito tempo, conforme veremos no próximo encontro.

Mas convém que se diga, para encerrar este tema, que a verdadeira ecofilia não transforma as criaturas em mais do que elas são. Não preciso dar status de deus ou deusa ao chão que piso, para entrar em sintonia com a Mãe-Terra.

Agindo com arrogância e pretensa superioridade (veremos mais sobre isso quando falarmos em Imagem e Semelhança), a humanidade vem agredindo sistematicamente a Natureza. Isso está matando nosso planeta.

Mas agimos com absoluta leviandade quando trocamos a nossa liberdade de filhos e filhas de Deus por um destino que nos isenta de qualquer responsabilidade diante dos fatos.

Só quando assumirmos que somos tão criaturas quanto o sol ou a lua, e que fazemos parte de um todo que é o cosmo, restabeleceremos de forma saudável e harmoniosa o equilíbrio do Universo.

3 caminhantes:

Olhe o Céu disse...

Gosto do jeito que você escreve, bastante didático, facilita o entendimento...
Em função de vermos pouca ou quase nenhuma preocupação das instituições religiosas atuais com a questão ecológica, podemos pensar que não há vínculo bíblico ou doutrinal com tal preocupação. Esta série de artigos nos mostra que há sim muita relação entre a Palavra e a questão ecológica. O que falta é boa vontade mesmo das instituições... vontade de assumir este compromisso tão importante na construção verdadeira do Reino.
Bom, mas isso de fato nunca fez nenhuma instituição, né?
Eu que to viajando... botar a mão na massa sempre foi coisa prá leigo, e na maioria das vezes coisa de out-siders!

domingo, 04 maio, 2008  
Adilson2009 disse...

Parabéns pelo Blog,como ex-integrante da PJ fico Feliz ao saber que na estrutura da PJ, ainda temos gente como você, atuante sendo Luz e produzindo bastante.
Um abraço fraterno e solidário
Adilson Ferreira
http://adilsonfs.blog.uol.com.br

segunda-feira, 05 maio, 2008  

Ecologia sim, mas primeiro as pessoas.
Abraço

domingo, 11 maio, 2008